Opinião

A única certeza para o novo ano

Na verdade, a única certeza para o ano que vem é que continuaremos a ser portugueses, periféricos e pimpões. Graças a Deus.

Será que em 2018 o conflito verbal entre a Coreia do Norte e os EUA vai degenerar numa guerra, nuclear ou não? É pouco provável, mas não é impossível. E em Angola? Para além do combate à corrupção e ao nepotismo já iniciado, será que o novo Presidente vai querer assegurar as liberdades fundamentais para os seus cidadãos, nomeadamente a liberdade de expressão e de manifestação? Não é evidente que assim venha a acontecer, mas muito vai depender da capacidade da oposição de mobilizar a opinião pública angolana para a importância do respeito dos direitos fundamentais. Na Venezuela, infelizmente, o mais provável é que o novo ano traga o aprofundamento da crise económica com o aumento da miséria, da repressão e a radicalização das partes em confronto.

A nível do nosso país, continuará a diminuir o desemprego e a economia a crescer? É provável que sim, se os ventos da Europa e do mundo continuarem a soprar favoráveis e se o Governo e os seus apoiantes não se excitarem demasiado com a aproximação do novo ciclo eleitoral. Em 2018, o lobby da energia vai continuar muito forte, os direitos dos consumidores continuarão a ser maltratados e certamente que teremos mais alguns escândalos político-económicos cuja existência, nesta altura, ainda ignoramos. Na Justiça, espera-se que a informatização do sistema judicial melhore e que a Procuradoria-Geral da República continue a trabalhar.

Mas, na verdade, a única certeza para o ano que vem é que continuaremos a ser portugueses, periféricos e pimpões. Graças a Deus.