Reedição de Manuel Lima e novidades brasileiras abrem novo ano editorial

A obra completa do surrealista Manuel de Lima, reeditada com inéditos, a revelação em Portugal do escritor brasileiro Eric Nepomuceno e a publicação do recente Calibre 22, no qual o nonagenário Rubem Fonseca recupera o detective Mandrake, são alguns dos lançamentos editoriais já confirmados para 2018.

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A Companhia das Letras lança em 2018 A Glória e o seu Cortejo de Horrores, da actriz Fernanda Torres, uma visão ficcionada dos bastidores do teatro e televisão brasileiros Nuno Ferreira Santos

Um dos raros ficcionistas portugueses enquadráveis no movimento surrealista, Manuel de Lima (1918-1976), cujos livros estão há muito esgotados, vai ser reeditado pela Ponto de Fuga, que publicará toda a sua obra num só volume, no qual figurarão ainda alguns textos inéditos.

É um dos lançamentos editoriais já anunciados para 2018, a par de várias novidades vindas do Brasil: a estreia portuguesa do escritor, jornalista e tradutor Eric Nepomuceno, com o livro de contos Adeus, Bangladesh, o regresso de Rubem Fonseca com Calibre 22, um conjunto de novas histórias protagonizadas por Mandrake, o detective revelado em A Grande Arte (1983), e ainda A Glória e o seu Cortejo de Horrores, um retrato ficcionado dos meios da televisão e do teatro brasileiros escrito por alguém que os conhece bem, a actriz Fernanda Torres. Nepomuceno será editado pela Porto Editora, Fonseca sairá com a chancela da Sextante, do mesmo grupo editorial, e Fernanda Torres será publicada pela Companhia das Letras.

Escritor, violinista e crítico musical e literário, Manuel de Lima, um dos autores do célebre grupo do Café Gelo, em Lisboa, escreveu nos anos 40 e 50 algumas singularíssimas obras de ficção, entre as quais se destaca Malaquias ou a História de um Homem Barbaramente Agredido (1953), e ainda peças de teatro, uma delas criada a meias com Natália Correia: Sucubina ou a Teoria do Chapéu (1952). A sua obra tinha já sido reeditada pela Estampa no início dos anos 70, juntamente com o livro então inédito A Pata do Pássaro Desenhou uma Nova Paisagem (1972), mas estava há muito indisponível nas livrarias.

Ainda na Ponto de Fuga sairá em 2018 uma versão revista e aumentada de Descobri que Era Europeia, um registo da viagem que Natália Correia fez aos Estados Unidos em 1950, originalmente publicado pela Portugália. Usando o exemplar da autora dessa primeira edição de 1951, o livro inclui alterações feitas por Natália Correia com vista a uma segunda edição, bem como fotografias e reproduções de documentos do seu espólio, incluindo textos inéditos.

Já em Janeiro, a Companhia das Letras vai editar o primeiro romance de José Gardeazebal, que se revelou em 2015 com o ambicioso (e premiado) livro de poesia história do século vinte, publicado na recém-reactivada colecção Plural, da Imprensa Nacional/Casa da Moeda. Intitulado Meio homem, metade baleia, esta sua estreia no romance tem como protagonistas um pai e uma filha, habitantes de um mundo em que a desumanização parece irreversível.

Em Março, a mesma editora publicará um novo livro de João Tordo, Ensina-me a voar sobre os telhados, romance cuja acção decorre entre Lisboa e o Japão.

Na E-Primatur, a reedição de obras de Bernardo Santareno (1924-1980) prosseguirá com mais duas peças de teatro, O Lugre e O Judeu, e sairá ainda um segundo volume das obras completas de Mário-Henrique Leiria (1923-1980), com textos maioritariamente inéditos.

No âmbito da poesia, a Assírio & Alvim, do grupo Porto Editora, publicará a lírica completa de Luís Filipe Castro Mendes, incluindo os livros que o actual ministro da Cultura publicou já após a anterior compilação da sua obra em Poesia reunida: 1985-1999 (Quetzal): Os Dias Inventados (2001), Lendas da Índia (2011) e A Misericórdia dos Mercados (2014).

Na D. Quixote sairão novos livros de poemas de Nuno Júdice (A Pura Inscrição do Amor), Manuel Alegre (Poemas de Amor) ou Maria Teresa Horta (Estranhezas), mas há também várias novidades já anunciadas na ficção: A Febre das Almas Sensíveis, de Isabel Rio Novo, As Memórias Secretas, de Mário Cláudio, Cadáveres às Costas, de Miguel Real, e O Fogo Será a Tua Casa, de Nuno Camarneiro.

Na Quetzal sairá já em Janeiro o novo romance de Bruno Vieira Amaral, Manobras de Guerrilha, e no mês seguinte será publicado Na Memória dos Rouxinóis, de Filipa Martins. Na Bookbulders anuncia-se um romance inédito do actor e dramaturgo Álvaro Faria, O Sobrevivente, e a 20/20 vai publicar A Devastação do Silêncio, de João Reis, que evoca a presença portuguesa na Primeira Guerra Mundial.

Ainda no domínio da ficção, a Porto Editora publicará mais um romance de Julieta Monginho, Um muro no meio do caminho, e a Parsifal conta publicar Salvação, de Ana Cristina Silva, De Volta, de Filomena Marona Beja, e A Revolta, de Afonso Valente Batista.

O autor do blogue Alfabetário, Hugo Mezena, publica em Fevereiro o seu romance de estreia, Gente Séria, na Planeta Editora, que projecta editar também um policial de Gabriel Magalhães, Os Crimes Inocentes.

Com a chancela da PIM! serão lançados mais dois volumes da colecção Repórter X, dedicada ao jornalista e pioneiro português da novela policial, Reinaldo Ferreira: Os Punhais Misteriosos e As Aventuras do Repórter X no País dos Sovietes. E, na Cavalo de Ferro, a reedição das obras Ferreira de Castro prossegue com o romance A Lã e a Neve, um retrato dos habitantes da região da Serra da Estrela durante a Segunda Guerra Mundial.

E para terminar com um ensaio, a Bertrand (grupo Porto Editora) publica em Janeiro o mais recente livro de João Barrento: Goethe: O Eterno Amador.