Aplicação quer evitar que a solidariedade vá toda para o mesmo sítio

O utilizador não escolhe o destinatário dos donativos, mas sabe para onde vai o dinheiro.

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Um supermercado utiliza as kindcoins que recebe para doar bens às instituições sociais mais próximas FERNANDO VELUDO / NFACTOS

Uma nova aplicação portuguesa permite aos utilizadores fazer donativos a estabelecimentos como restaurantes e supermercados, os quais podem depois doar bens a instituições de apoio social.

A aplicação chama-se KindCoin e os donativos são contabilizados em moedas virtuais. Cada uma equivale a um euro. Instala-se a aplicação, escolhe-se um estabelecimento  (é sugerida uma lista – de farmácias, a talhos, restaurantes, ou mesmo serviços jurídicos – com base na localização do utilizador), e o montante a doar, que na aplicação surge em kindcoins. Um estabelecimento tem de reunir pelo menos cinco kindcoins antes de transformar o valor em bens.

“Todas as moedas recebidas são depois convertidas em bens que as instituições de solidariedade social nas redondezas mais necessitam”, explica a fundadora, Maria Vieira da Silva, ao PÚBLICO. Apesar do nome, a aplicação não tem nada a ver com criptomoedas, bitcoins ou blockchain. As kindcoins são apenas um símbolo para o dinheiro real. 

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Há várias instituições e parceiros listados na aplicação Screengrab KindCoin

Ao contrário de um donativo tradicional, aqui o utilizador não escolhe para onde o dinheiro vai. "Se fosse o utilizador a escolher a instituição, corria-se o risco de ser sempre a mesma”, justifica Vieira da Silva. “O doador inicial está no centro, mas o projecto resume-se todo a uma estratégia ‘win-win’. Toda a gente tem de ganhar algo.” A KindCoin – que é uma empresa – recebe 5% de comissão por cada doação feita, os estabelecimentos comerciais recebem atenção, e as instituições sociais, apoio. O utilizador recebe recompensas depois de doar 25 euros na aplicação. “Bilhetes para concertos, t-shirts, equipamento futebolístico, depende das nossas parcerias."

Todas as pessoas que doam kindcoins podem seguir o percurso dos donativos através de notificações na aplicação. A monitorização é feita através das facturas emitidas pelos estabelecimentos comerciais. Por ora, há cerca de 20 registados na aplicação, mas limitam-se às cidades de Guimarães e Lisboa. O objectivo é expandir. A KindCoin espera reunir até 1500 utilizadores até ao final de Fevereiro.