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Louvre de Abu Dhabi Mahmoud Khaled/Epa
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Santiago do Chile Victor Ruiz Caballero/Reuters
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Geórgia David Mdznarishvili/reuters
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Mississípi, EUA Topham/Imageworks
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Valeta, Malta Darrin Zammit Lupi/ Reuters
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Moscovo, Rússia Nuno Ferreira Santos
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Maurícias DR

Doze destinos para 2018

Nunca é fácil decidir para onde viajar e cada um tem as suas motivações. Contudo, deixamos-lhe algumas pistas para que em 2018 possa aproveitar o melhor possível determinados destinos que, por um motivo ou outro, vão viver um ano extraordinário. E para quem viajar é um sonho, fica a dica: Portugal é mesmo aqui — e está na moda.

Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

A 15 de Novembro, a obra Salvator Mundi, uma das 20 que chegaram até nós de Leonardo da Vinci, estilhaçou os recordes do mundo da arte quando foi vendido em leilão por 380 milhões de euros. O comprador era anónimo, mas já se sabe que foi um príncipe árabe em nome do Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi — e a nova casa da obra perdida de Da Vinci é o novíssimo Louvre Abu Dhabi. O projecto megalómano — marca, aliás, dos Emirados Árabes Unidos (EAU) — era aguardado desde 2012, mas as portas da obra do arquitecto francês Jean Nouvel, marcada pela enorme cúpula de redes geométricas sobrepostas que cobre 55 edifícios à laia de OVNI barroco, só abriram em Novembro. Lá dentro, 23 galerias contam a história da humanidade, através de obras do próprio museu e de outras sob empréstimo de outras instituições. Para além da colecção permanente — cuja aquisição fez mexer o mercado de arte moderna e contemporânea mundial, embora, digam os especialistas, os seus verdadeiros tesouros sejam as obras mais antigas —, o museu albergará quatro exposições temporárias anuais.

Mais do que “apenas” um museu, o Louvre de Abu Dhabi pretende afirmar-se como um destino por si só. Além dos vários espaços expositivos, inclui um museu infantil, restaurante, café e cinema e é apenas um dos espaços de um ambicioso projecto, a Ilha Saadiyat, que pretende tornar-se no centro cultural da cidade, do emirado homónimo e dos EAU (de que é capital) e, para tanto, não lhe falta ambição. Entre os oito equipamentos culturais previstos, incluem-se o Guggenheim Abu Dhabi (de Frank Gehry), o Museu Nacional Sheikh Zayed (de Foster + Partners) e um centro de artes performativas (de Zaha Hadid) — contudo, todas as datas de conclusão já foram ultrapassadas e parece cada vez mais provável que 2020 não verá a conclusão da Ilha de Saadiyat.

Enquanto o futuro não chega, Abu Dhabi tem muito presente para esbanjar. Não está ao mesmo nível do vizinho Dubai, mas também tem tendências extravagantes e um olho para os recordes: da montanha-russa mais rápida (no Ferrari World, que também reivindica ser o maior parque de diversões coberto) ao edifício mais inclinado (Capital Gate: ao contrário da Torre de Pisa, não é defeito, é feitio), sem esquecer o maior tapete (na Grande Mesquita), por exemplo.

África do Sul

A África do Sul não é estranha nestas listas de melhores destinos do ano, não lhe faltam encantos. Dos big five nas savanas do Kruger Park ou do Parque Transfronteiriço Kgalagadi às luxuriantes paisagens do Parque uKhahlamba-Drakensberg, com as suas florestas densas, rios, cascatas; da “cidade de ouro” Joanesburgo à vizinha capital Pretória; da cultural Stellenbosch à pessoana Durban; da vitoriana Port Elizabeth à cosmopolita e deslumbrante Cidade do Cabo — da incrível vida selvagem às praias, das montanhas às cidades, do ecoturismo ao surf, da cultura ao vinho, abundam os melhores motivos para visitar a África do Sul.

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Manuel Roberto

Ir em 2018 tem como motivação suplementar a homenagem que o país presta a uma das personalidades mais importantes do século XX mundial. No centenário e no 27.º aniversário da libertação de Nelson Mandela, o herói do apartheid e da nova África do Sul, alguns dos principais pontos de atracção do país vão ser animados por um programa oficial de comemorações que visam celebrar o seu imenso legado. Com renovado olhar visitam-se locais icónicos do seu percurso, sobretudo entre a Cidade do Cabo, onde Robben Island foi casa de Madiba durante 18 dos 27 anos que esteve preso e onde fez as primeiras aparições e declarações ao mundo depois do seu longo cativeiro, e Joanesburgo, que tem no Soweto o berço do movimento de libertação nacional e no Museu do Apartheid uma revisitação da luta por um país livre de racismo. Se a África do Sul é hoje o que é, deve muito a Nelson Mandela — em 2018, o agradecimento será (uma vez mais) colectivo.

Butão

Será um dos países mais elusivos do mundo, este pequeno reino protegido pelos Himalaias que apenas aboliu a escravatura na década de 1950. Fechado ao turismo até 1974, o Butão tem desde então aberto as portas, mas sempre com muito cuidado — diríamos antes que tem entreaberto as portas. A escassez de voos (apenas duas companhias voam para o país, a Bhutan Airlines e a Druk Air) e o “consumo mínimo”, chamemos assim à famosa “diária” de 250 dólares (qualquer visitante tem de contratar uma empresa de turismo local que assegura guia, comida, alojamento — ou seja, versão tudo-incluído e com o programa à medida dos desejos de cada um), ajudam a garantir que o turismo no Butão está longe de ser massificado. Pouco, mas de alta qualidade, é a filosofia. Contudo, em 2018, o reino com menos de um milhão de habitantes encravado entre os dois países mais povoados do planeta (um anão entre gigantes), a Índia e a China, vai ficar mais perto do resto do mundo com o aumento de ligações aéreas e a abertura de um novo aeroporto internacional e será mais acessível com a expansão da auto-estrada que o atravessa. Será um pouco mais fácil descobrir o país de cumes eternamente nevados, densas florestas que parecem suspensas no início dos tempos, mosteiros-fortalezas pendurados em penhascos impossíveis, monges sorridentes, estradas dramaticamente coladas às montanhas, tradições seculares e uma população que avalia o desenvolvimento pelo índice de “Felicidade Interna Bruta”. É uma das originalidades deste país profundamente budista e ecológico (a pegada de carbono aqui é negativa), introduzida pelo rei Jigme Singye Wangchuck, que abdicou em 2006 como o mais popular dos monarcas.

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Chile

Haverá muito pisco sour a correr este ano no Chile. Afinal, o país sul-americano, longa língua estreita que se estende do deserto de Atacama à Patagónia e se encaixa entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, celebra o bicentenário da sua independência e tal merecerá muitos brindes com o seu cocktail mais icónico. O Chile está no topo dos destinos de 2018 nas mais importantes publicações do mundo e se o aniversário faz a diferença, este é também o culminar de todo um processo de transformação, sobretudo da capital, Santiago — não sendo a mais animada da região é, porém, uma das mais sofisticadas (e seguras) e tem-se aprimorado no que à alta gastronomia e alojamento diz respeito.

Certamente um dos países mais circunspectos da América do Sul, o Chile apresenta, porém, uma geografia de exuberante variedade sob um horizonte vasto. Os já referidos extremos continentais levam o visitante do deserto mais árido do mundo aos glaciares e fiordes do “fim do mundo”; e, em apenas duas horas (no máximo), das melhores estâncias de esqui do subcontinente ao litoral relaxado, pitoresco e surfista (Viña del Mar é uma das praias mais conhecidas). Sem esquecer o charme boémio de Valparaíso, refúgio à beira-mar da capital e um dos pontos de peregrinação para admiradores do mais conhecido poeta do país, Pablo Neruda (Sebastiana, a sua casa aqui, juntamente com Isla Negra e La Chascona, em Santiago, são parte desse roteiro cultural chileno), e descobrem-se os vales de onde os vinhos chilenos saem para conquistar o mundo.  E, perdida no oceano, está a enigmática Ilha da Páscoa (Rapa Nui) que continua a fascinar visitantes e estudiosos pelos seus moai (estátuas gigantescas) que são sentinelas numa ilha feita de vulcões, pradarias e praias de areia cor-de-rosa. Se há países que têm tudo, o Chile será um deles.

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Cidade do México, México

A Cidade do México, México D.F. ou apenas D.F., como os mexicanos se referem à sua capital, é daquelas cidades a que assentam na perfeição a reflexão de William Faulkner no seu livro Requiem por uma freira: “O passado nunca morre. Não é sequer passado.” Desde a Tenochtitlan azteca arrasada por Hernan Cortez, são 700 anos de história, tantas vezes cruel, tantas vezes autofágica, num território onde “as velhas épocas nunca desapareceram completamente e todas as feridas, mesmo as mais antigas, ainda emanam sangue”, como descreveu Octavio Paz.

Entre estas feridas ainda abertas, a do terramoto de 1985, que matou cinco mil pessoas, foi dolorosamente revivida em 2017, com novo sismo que, ainda que com efeitos menos demolidores, deixou um rasto de destruição inegável. Outra ferida sangrenta que se calhar nunca fechará, mas que já se quer superar e a designação da cidade como Capital Mundial do Design em 2018 parece ser um bom pretexto. Para chilangos e turistas: os primeiros para seguirem em frente, os segundos para voltarem a calcorrear as ruas e intermináveis avenidas desta megacidade em constante vertigem (1500 quilómetros quadrados para 22 milhões de habitantes). Uma vertigem que em anos recentes tem feito renascer a cozinha mexicana (o exemplo mais paradigmático é o Pujol, do chef Enrique Olvera) e florescer a cozinha internacional na cidade; reabilitar o seu (incomensurável) património histórico; expandir a sua (incrível) oferta museológica; e incentivar o desenvolvimento do design e criatividade. E assim chega-se à Capital Mundial do Design com a responsabilidade social como tema numa cidade que pode ser uma espécie de laboratório para os desafios que outras megacidades enfrentam, tanto na urbanização como no uso do design para as tornar mais seguras e mais vivíveis.

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A Cidade do México vive-se em “colónias” (250), que pertencem a 16 delegações e têm vários mundos dentro. Desde a cosmopolita (e afluente) Polanco, com as suas embaixadas e boutiques das grandes marcas internacionais, ao centro histórico onde o Zócalo se impõe como a maior praça da América Latina; de Chapultepec, o pulmão verde da cidade, à novíssima (e futurística) Santa Fé; da Zona Rosa, boémia e gay, a Roma e La Condessa, boémias e chiques entre as suas mansões do século XIX, sem a esquecer a Coyocan de Frida Khalo e percorrendo o Passeio da Reforma, avenida quase omnipresente nos seus perto de 15 quilómetros de comprimento. Sensual e violenta, melancólica e espalhafatosa, silenciosa e estrepitosa, a Cidade do México até pode tremer, mas nunca cai.

Equador

Durante anos, o turismo no Equador tinha uma rota definida, as Galápagos. Num dos países onde está concentrada a maior biodiversidade do planeta (muita dela nas 26 áreas protegidas criadas pelo estado), as Galápagos (nome oficial Arquipélago de Colón – que é como quem diz, Colombo), ainda assim, destacam-se: afinal, no arquipélago que “deu” a Darwin a chave para a teoria da evolução vive a maior densidade de biodiversidade do mundo. Porém, os últimos anos viram o turismo crescer no continente e Quito, a capital empoleirada a 2818 metros de altitude nas encostas do vulcão Pichincha, na cordilheira dos Andes, deixou de ser um ponto de passagem obrigatório para as Galápagos mas um destino que ganha protagonismo pela recente onda de renovação gastronómica que se alia ao seu centro histórico, colonial (construído sobre as ruínas de uma cidade inca), o mais bem preservado e menos alterado na América Latina, que a UNESCO distinguiu como património da humanidade.

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A sofisticação na cozinha não manchou, contudo, a mescla idiossincrática que constitui a cultura equatoriana e que se revela nas ruas, no contacto com as pessoas e na preservação, que tem tanto de orgânica como de militante, dos velhos ofícios. À boleia de Quito, o Parque Nacional de Cotopaxi tem-se tornado uma sensação entre os turistas, uma vez que está apenas a hora e meia da capital, e El Pedregal (Machachi) como sua porta de entrada — alternativa, é certo, mas posta nas bocas do mundo quando o New York Times o distinguiu como um dos destinos do ano em 2016.

Vale rodeado de vulcões, encostas verdejantes e antigas fazendas (agora, unidades turísticas), El Pedregal é refúgio de muitos turistas que procuram a tranquilidade ou a relativa adrenalina do BTT, trekking, passeios a cavalo, birdwatching — tudo tutelado pelo voo de condores que abundam nestas paragens de aparência quase alpina (e, portanto, também uma raridade nestas latitudes sul-americanas). Um Equador diferente, portanto.

Sul dos Estados Unidos

Early morning, April four/ Shot rings out in the Memphis sky/ Free at last, they took your life/ They could not take your pride.” Cumprir-se-ão no dia 4 de Abril de 2018 50 anos sobre o assassínio de Martin Luther King Jr, em Memphis, Tennessee. Símbolo maior do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos da América, o aniversário da sua morte vai ser marcado por uma série de iniciativas que pretendem preservar a memória dos tempos de luta pela abolição da discriminação e segregação racial no país. Apesar de abolida oficialmente a escravatura em 1863, a sua insidiosa herança persistiu no Sul (um Sul que não coincide exactamente com a geografia, antes com os estados da antiga confederação cuja secessão provocou a guerra civil) e ainda hoje lança sombra nessa região que é a mais pobre e desigual região do país.

É neste território que se concentra grande parte dos locais que fazem parte da rota US Civil Rights que é inaugurada no dia 1 de Janeiro de 2018 — data simbólica, 155 anos depois do decreto da emancipação dos escravos pelo presidente Abraham Lincoln, em plena guerra civil. São 80 os marcos da nova rota, concentrados sobretudo em 14 estados — muitos já estavam inventariados e faziam parte de circuitos, mas esta é a primeira vez que se atravessam as linhas estatais para apresentar um mapa completo. Entre estes locais, feitos de luta e resistência nas décadas de 1950-60, alguns fazem parte da biografia íntima de Martin Luther King, como a casa onde nasceu, em Atlanta (Geórgia), agora de cara lavada, e o motel (Lorraine) onde morreu, que actualmente recebe o Museu Nacional dos Direitos Civis.

Se percorrer estes caminhos desvenda um país ainda profundamente dividido, social e economicamente, ao mesmo tempo leva-nos por cenários onde a tragédia e o triunfo acabaram por mudar o rosto dos EUA. O mesmo acontece em Nova Orleães (Louisiana), que também faz parte do roteiro, mas merece destaque à parte — a cidade que nos últimos 12 anos já se reergueu da água duas vezes faz 300 anos. E, no Sul, ninguém festeja tão bem como Nova Orleães.

Geórgia

Desde que a URSS se desfez, o mundo recebeu uma série de novos países que aos poucos se começam a mostrar ao mundo. A Geórgia é um dos pontas-de-lança nesse percurso e em 2018 tem mais um motivo para erguer bem alto a sua bandeira: passam cem anos desde a sua declaração de independência, no rescaldo da Revolução de Outubro. Não durariam muito os ímpetos libertários, porém a semente ficou e floresceu.

Por estes dias, a república do Sul do Cáucaso, um dos pontos de passagem da mítica Rota da Seda, assume-se como “a varanda da Europa” (está instalada entre esta e a Ásia) e, graças ao aumento constante do turismo, está a viver em pleno o velho adágio local em que os visitantes são considerados bençãos. Sim, a hospitalidade é uma forma de vida, num país que apresenta uma natureza quase intocada e de beleza redundante (os parques nacionais Borjomi-Kharagauli e Tusheti são apenas dois exemplos).

E, sendo uma encruzilhada geográfica e cultural, as suas paisagens deslumbrantes desenhadas por montanhas e vales, são povoadas por igrejas, catedrais e mosteiros que não deixam esquecer uma das reivindicações do país, o de ter sido o primeiro a adoptar o cristianismo (a Arménia discorda). De qualquer forma, a herança cristã é antiga e parece combinar na perfeição com paisagens de florestas e altos cumes, vales profundos e prados intermináveis, cruzados por rios selvagens: os mosteiros erguem-se como miradouros (a igreja Gergeti, no monte Kazbegi, 2170 metros de altitude é icónica) ou descobrem-se esculpidos na rocha, há aldeias, vilas e pequenas cidades quase que suspensas no tempo. Tiblissi é a capital orgulhosa, que faz a síntese entre o passado e o futuro, entre o centro histórico, com as suas ruas estreitas, arborizadas e pintadas de edifícios coloridos (que todos as noites se anima), e arquitectura contemporânea (não esquecendo os resquícios monolíticos da era soviética), sem vender a alma e mantendo as tradições (por exemplo, os inúmeros mercados de rua). Tradição na Geórgia é também o vinho — a sua cultura no território começou há oito mil anos e há 500 variedades de uvas. Terra generosa, portanto, que o mundo não tardará a descobrir.

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Leeuwarden, Holanda

Leeuwarden não será certamente um nome muito reconhecível, pelo menos fora da Holanda, mas quem sabe se algo mudará em 2018, quando for Capital Europeia da Cultura (CEC). Até agora, a capital da Frísia, província no Norte do país com um litoral extenso e várias ilhas, é sobretudo conhecida no mundo como local de nascimento de Mata Hari — não será à toa que um dos principais eventos de 2018 é uma exposição sobre a bailarina-espia que tanto fascinou, fascina, o mundo; na Holanda, todos lhe conhecem o mercado de flores que todos os anos, no dia da Ascensão, se instala no centro da cidade, como um mar colorido, reivindicando ser o mais longo do país e atraindo milhares de visitantes.

É mais um apontamento pitoresco na cidade que se desenvolveu em volta de canais, precisamente onde a sua arquitectura mais brilha no típico estilo holandês de tijolos e empenas, domesticado à sua escala — afinal, Leeuwarden é o centro de uma região agrícola. O que, contudo, não a impede de oferecer um conjunto substancial de monumentos nacionais e edifícios protegidos — um dos maiores conjuntos do país, onde não falta uma “torre de Pisa”, a Oldehove, que até é mais inclinada do que a primeira —, uma rua comercial considerada uma das mais charmosas do país e a habitual cultura de esplanadas que nem o frio espanta. Especialmente procurada para visitas de um dia (está a 1h30 de Amesterdão), Leeuwarden é também ponto de partida para a exploração da província, popular entre amantes da natureza, pelos seus lagos e pelos seus moinhos de vento.

E se Leeuwarden é o rosto, na verdade toda a província está envolvida na CEC e quer dar-se a conhecer ao mundo, mas sem abdicar da sua herança marcadamente rural, do seu espírito comunitário e das suas paisagens que serão palco e protagonistas de muitas iniciativas. Os organizadores aconselham mesmo os visitantes a não esquecer o fato de banho, botas de caminhada, chapéu e óculos de sol  — a cultura e a natureza vão encontrar-se nesta CEC que promete ser diferente.

Malta

Tem uma média de 300 dias de sol por ano e tanto da cultura do Mediterrâneo que ali se cruza. Malta é uma encruzilhada que se vê e se vive: dos monumentos megalíticos ao triunfo do barroco e da arquitectura militar (ou não tivesse encontrado aqui guarida a Ordem Hospitalar, séculos depois, não fosse ponto estratégico de bombardeamentos na II Guerra Mundial); do Norte de África à Grécia, passando por Itália, tudo misturado com um twist inglês — e um idioma maltês, mescla herdeira do italiano e do árabe com volúpia local.

É um encontro de culturas, nem sempre pacífico, é certo, mas que chega ao século XXI com uma síntese histórica singular, uma espécie de espelho de um mare nostrum que é Europa e Norte de África (e onde não falta a cultura de praia e condizente ritmo de vida). Em 2018, Malta vê a sua capital ser Capital Europeia da Cultura (CEC) de 2018 — um papel que tem tudo para lhe assentar na perfeição. Depois de ser ilha (e arquipélago) fortaleza, pela sua situação geográfica privilegiada, esse mesmo feitio é agora uma porta aberta a cruzamentos culturais que podia ser simbolizada pelo portão principal da fortaleza-capital, Valeta, que uma recente intervenção do arquitecto Renzo Piano retirou, deixando apenas o pórtico. Cenário barroco, com adições maneiristas e neo-clássicas — e uma pegada portuguesa: António Manuel Vilhena, grão-mestre no século XVIII, deixou marca indelével na cidade — que exsuda uma nobreza elegante e uma certa teatralidade, testemunhos de uma herança cultural vibrante.

É este o palco central (mas não o único — toda a ilha e a vizinha Gozo estão envolvidas no projecto) para Malta se afirmar como eixo cultural e artístico central do Mediterrâneo e de cara renovada. De festivais barrocos à arte contemporânea, do jazz ao cinema, da literatura às celebrações populares tradicionais, Malta renova o seu (habitual) traje de gala e abraça a sua condição de porto privilegiado no Mediterrâneo.

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Maurícias

É o típico destino de sonho que adorna as agências de viagens (físicas ou virtuais) de cartazes com praias de areia branca, mar turquesa e palmeiras. Afinal, as Ilhas Maurícias (República da Maurícia, nome oficial), arquipélago no Oceano Índico, são um paraíso pintado a azul e verde (tudo nas águas, onde os corais formam lagoas esmeraldas), suspenso entre o céu e o mar, que se vive com pé na areia e o corpo na água, em resorts mais ou menos luxuosos, à sombra de vulcões há muito adormecidos.

Desde que os portugueses a ela aportaram, em 1505, o arquipélago da Maurícia foi colonizada por holandeses, franceses e britânicos. Foi precisamente do Reino Unido que se tornou independente em 1968 — celebra meio século de independência em 2018 já como república (desde 1992). Apesar da última colonização, é a cultura francesa a que mais influencia a vida neste país onde hindus, muçulmanos, cristãos e budistas convivem sem sobressaltos (é o ser mauriciano, uma verdadeira concórdia) — e onde o rum é abundante, não fosse a cana-de-açúcar a sua principal produção. Aliás, o seu cultivo ocupa mais de 50% do território da ilha principal, Maurícia, sendo que a visita a plantações é quase indispensável nos roteiros turísticos. Ou ao Museu do Açúcar, na capital, Port Louis, antigo entreposto de escravos, cidade vibrante e colorida, romântica e literária — Baudelaire escreveu o seu primeiro poema (A une dame créole) nos jardins de Pamplemousses, Mark Twain afirmou que deus criou o paraíso tendo como modelo as Maurícias e o prémio Nobel Jean-Marie Le Clézio tem aqui uma fonte de inspiração recorrente. E se as praias e a capital são os chamarizes, não se tema o interior da ilha. Há pérolas que é preciso descascar, como Chamarel, uma pequena aldeia charmosa na montanha onde se encontram as “terras das sete cores”, um troço de terra ondulado que o sol faz brilhar como um arco-íris mate. Do mar à montanha, nada se perde nas Maurícias.

Rússia

Se o maior país do mundo precisasse de mais motivos de visita, pode dizer-se que os anos de 2017 e 2018 estão a ser pródigos. Tudo por causa do futebol e não se pode em boa consciência (goste-se ou não) menosprezar o poder do jogo de arrastar meio mundo atrás. Sobretudo durante grandes competições: a Taça das Confederações em 2017 foi um aperitivo, porque o prato principal é servido entre Junho e Julho de 2018. Sim, o Campeonato do Mundo de Futebol trará, com certeza, uma inflação de preços, mas trará também uma maior acessibilidade (não só pelo aumento de ligações aéreas, mas com as entidades turísticas mais apostadas em disponibilizar mais e melhor informação) e mais abertura por parte dos russos para receber visitantes (e se o que passou durante a Taça de Confederações pode servir como referencial, parece que os adeptos, pelo menos os portugueses, não têm razão de queixa dos anfitriões).

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Nuno Ferreira Santos

A Rússia, então, como país para onde (e independentemente do plano político, que é tantas vezes alimento para as audiências internacionais) todas as atenções e tantos caminhos se voltarão. São 13 as cidades que receberão jogos de futebol, uma gota de água no oceano que é o país, mas quase apostamos que uma será, quase inevitavelmente, a porta de entrada, a capital, Moscovo, e outra quase incontornável para quem possa fazer o “desvio”, São Petersburgo — ir à Rússia e não visitar essas duas cidades é um crime lesa império(s).

Para os adeptos portugueses, Moscovo é, obrigatoriamente, um ponto de passagem: a 20 de Junho a selecção de Portugal joga aqui o seu segundo jogo, com Marrocos. Cinco dias antes é em Sochi que começa a aventura na Rússia, contra Espanha — a fase de grupos termina a 25 de Junho, em Saransk, diante do Irão. Não se pode dizer que Portugal não tenha sido bafejado pela sorte: Sochi, que em 20014 recebeu os jogos olímpicos de Inverno, é uma cidade balneária com um pé no mar Negro e o outro nas montanhas; e Saransk é considerada uma das mais bonitas cidades do país, com uma mescla de história, comércio e espaços verdes, na bacia do Volga.