Mais de 20 tartarugas apreendidas. E outra ao largo após 20 anos em cativeiro

A tartaruga Gama, libertada em Aveiro no início de Novembro, percorreu já mais de mil quilómetros. Está agora perto dos Açores, onde esta sexta-feira foram apreendidas 28 tartarugas que iam ser vendidas ilegalmente.

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A tartaruga Gama é da espécie Caretta caretta REUTERS/Santiago Ferrero

A tartaruga-comum devolvida recentemente ao mar em Aveiro, depois de ter estado 20 anos em cativeiro, "está a cerca de 700 quilómetros a Norte dos Açores", disse à Lusa a coordenadora técnica do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM) nesta sexta-feira, no mesmo dia que, num caso à parte, no aeroporto da Horta, foram apreendidas 28 tartarugas que se destinavam a venda ilegal. 

"Fizemos a devolução a cerca de oito milhas náuticas da costa de Aveiro, a 2 de Novembro, e entretanto ela tem-se deslocado para leste e na última localização que fizemos estaria sensivelmente a 700 quilómetros a norte dos Açores", adiantou à Lusa a bióloga Marisa Ferreira.

A tartaruga-comum da espécie Caretta caretta, devolvida ao mar com cerca de 103 quilos, esteve nos últimos 20 anos no Aquário Vasco da Gama, no concelho de Oeiras (distrito de Lisboa) e está a ser monitorizada pelo CRAM até Janeiro de 2019, tendo já percorrido 1300 quilómetros.

"Aplicámos um transmissor de satélite que vai nos permitir, se tudo correr bem e as baterias não nos falharem, seguir o animal durante cerca de 15 meses", afirmou. Segundo Marisa Ferreira, os dados que chegam "duas vezes por semana" revelam o padrão de rota do percurso de "Gama", nome dado a tartaruga pelos biólogos do CRAM.

"Quinze meses é a duração da bateria do transmissor que lhe aplicámos. A partir daí vamos deixar de ter contacto, de saber o paradeiro dela, ela também foi com um microchip e se alguma vez parar em terra alguém poderá verificar que ela está marcada", explicou.

A monitorização da tartaruga permite verificar "o sucesso da devolução" do animal à natureza e também perceber qual o uso que as tartarugas fazem das águas portuguesas, bem como "as rotas de migração".

"Já marcámos 19 tartarugas libertadas em vários pontos do país, Aveiro, Figueira da Foz, Peniche e Madeira. Tivemos animais que foram para o meio do Atlântico, tivemos animais que entraram no Mediterrâneo, que foram para Sul para a costa africana, chegando praticamente a Cabo Verde, portanto temos uma distribuição bastante variada", explicou.

Antes de a tartaruga "Gama" ter sido devolvida ao mar, o CRAM avaliou o estado de saúde e a capacidade do animal de se adaptar ao seu habitat natural para haver a garantia de que estaria apto para sobreviver sozinho.

"Esteve nas nossas instalações, em que tivemos a estudar e apresentar vários itens alimentares, também presas vivas para ver se ela tinha capacidade de comer e também para se exercitar, porque esteve muito tempo num tanque. Quando se verificaram todas as condições, fizemos a devolução à natureza", recordou.

Gerido no concelho de Ílhavo pela Universidade de Aveiro em colaboração, com a Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem e o Oceanário de Lisboa, o CRAM faz parte do projecto ECOMARE e tem um custo anual de meio milhão de euros. Considerado o maior centro do género na Europa, o CRAM funciona desde Agosto de 2016.

Apreensão de 28 tartarugas para venda ilegal

A poucos quilómetros de onde anda a tartaruga Gama, foram apreendidas nesta sexta-feira 28 tartarugas pela GNR da Horta, no aeroporto dos Açores, que iriam ser vendidas de forma ilegal. As autoridades identificaram o homem dono do estabelecimento que iria vender os animais.

Em nota divulgada esta sexta-feira pela GNR da Horta, ilha do Faial, é referido que "no decorrer de um controlo sanitário a duas caixas de esferovite contendo peixes de aquário, os militares detectaram um fundo falso, o qual depois de aberto continha três caixas com tartarugas".

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As tartarugas em causa, prossegue a Guarda, "destinavam-se a uma loja de venda de animais, a qual não se encontrava licenciada para o efeito", sendo que o proprietário do estabelecimento foi identificado e foi-lhe "levantado o respectivo auto de contra-ordenação".

As tartarugas aquáticas eram das espécies Chynemys reevesii, da família Emydidae, e Mississipi graptemys kohnii, da família Geomydedae.