Jazz: o melhor do ano

Escolhas de Nuno Catarino.

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10

Omniae Ensemble

Pedro Melo Alves

Nischo

Também baterista do grupo The Rite of Trio, Pedro Melo Alves apresenta um surpreendente disco na condição de compositor e bandleader.Ao leme de um septeto de jovens talentos nacionais, Melo Alves revela um conjunto de temas arrojados, num perfeito ponto de equilíbrio onde o jazz toca a música contemporânea.

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9

To Pianos

Eve Risser & Kaja Draksler

Clean Feed

Duas das mais originais pianistas da cena actual, a francesa Eve Risser e a eslovena Kaja Draksler, juntaram-se numa parceria extraordinária. Num encontro de improvisação pura, com os dois pianos como eixo, exploram as possibilidades do instrumento, do detalhe à rebentação, num contínuo diálogo.

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8

A Pouting Grimace

Matt Mitchell

Pi

O pianista Matt Mitchell lidera uma formação alargada, desenvolvendo uma música rica e intrincada, exemplar no trabalho de composição e arranjos (e com dedo de David Torn na produção). Combinando uma mescla alargada de referências, Mitchell explora um melting pot musical onde há passado, presente e futuro.

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7

Brightbird

João Paulo Esteves da Silva Trio

Arjuna

A mais recente aventura de João Paulo Esteves da Silva é um novo trio de piano, desta vez com a companhia do contrabaixista luso Mário Franco e do baterista suíço Samuel Rohrer. O trio trabalha uma música abertamente improvisada, sem amarras, permanentemente elegante e luminosa.

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6

A Rift in Decorum

Ambrose Akinmusire

Blue Note

Trompetista impressionante, o americano apresentou o seu primeiro disco ao vivo, gravado no Village Vanguard, em Nova Iorque. Disco duplo, reúne catorze temas interpretados por um grupo em topo de forma — Sam Harris no piano, Harish Raghavan no contrabaixo e Justin Brown na bateria. No centro, sempre o trompete de Akinmusire, que tem tanto de fogo como de mel.

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5

Avant-Garde Party Music

Cortex

Clean Feed

O título promete um paradoxo. O quarteto nórdico Cortex não desiludiu e apresentou uma música festiva que não esquece a originalidade da improvisação. O grupo de Thomas Johansson (trompete), Kristoffer Alberts (saxofone), Ola Høyer (contrabaixo) e Gard Nilssen (bateria) partiu de melodias eficazes e trabalhou-as com groove, criatividade e força.

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4

Harmony of Difference

Kamasi Washington

Young Turks

Depois do triplo The Epic, que conquistou o mundo, o saxofonista apresentou uma proposta mais modesta mas não menos apelativa. A grandiosa Truth é o saboroso culminar do disco, espécie de tema-súmula, nos seus quase quinze minutos às voltas de uma melodia sedutora, sempre em círculos, sempre em evolução.

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3

Directions

João Barradas

Inner Circle

Acordeonista virtuoso, o português mostrou-se ao mundo com um disco brilhante, acompanhado por grandes músicos nacionais (João Paulo Esteves da Silva, André Fernandes e Sara Serpa) e convidados especialíssimos: o saxofonista Greg Osby e Gil Goldstein, referência do acordeão no jazz. Composições originais e solos vertiginosos confirmam um monumento que ficará na história do jazz português.

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2

Baby Talk

James Blood Ulmer & The Thing

Trost

O grupo The Thing, de Mats Gustafsson, Ingebrigt Håker-Flaten e Paal Nilssen-Love, vem definindo o jazz do século XXI com a sua combinação única de free jazz e energia rock. Já tinha assinado colaborações memoráveis — com Joe McPhee e Neneh Cherry — mas desta vez rebentou a escala numa parceria com a guitarra de James “Blood” Ulmer, homem do blues moderno. Fusão incendiária de jazz, rock, blues e free.

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1

Far From Over

De Vijay Iyer

ECM

O pianista já sedimentou uma discografia notável, com registos memoráveis em trio, a solo e, recentemente, também num duo com o trompetista Wadada Leo Smith. Em Far From Over apresentou o seu disco mais ambicioso até à data, expandindo a sua formação base. Além da secção rítmica de trio (Stephan Crump no contrabaixo e, agora, Tyshawn Sorey na bateria), juntaram-se três sopros ilustres: Steve Lehman, Mark Shim e Graham Haynes (filho do lendário Roy Haynes). O sexteto desenvolveu uma música que atravessa a história, vai do hardbop sólido ao groove elástico: na faixa que dá título ao disco ouvimos a interacção dos sopros, sempre assentes no ritmo preciso; em Nope ouve-se funk sedutor, acentuado pelo Fender Rhodes de Iyer; com Down to the Wire somos levados por uma investida alucinante do piano (depois seguida pelos restantes); em Into Action temos um óptimo exemplo da harmonia colectiva. Mas esta música não vive só de acção, mostra também um lado contemplativo nas belíssimas Threnody e For Amiri Baraka – o título elegíaco da última é sublinhado pela intervenção inicial espaçada do piano, que cresce depois em tom celebratório. Este disco confirma Iyer como músico completo, também soberbo na composição e arranjos, e o sexteto exibe uma dinâmica fora de série, com uma força rara no catálogo da editora ECM. Magnífico.