Oposição exige esclarecimentos sobre entrada da Santa Casa no Montepio

PSD acusa primeiro-ministro de entrar em "contradição". CDS chama Vieira da Silva com urgência.

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António Leitão Amaro, vice-presidente da bancada social-democrata, acusa António Costa de contradizer as declarações do actual Provedor da SCML, Edmundo Martinho MIGUEL MANSO

O PSD e o CDS voltaram à carga sobre a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) no Montepio, depois de considerarem que o primeiro-ministro não respondeu às perguntas colocadas no debate quinzenal de quarta-feira. Os centristas vão mais longe e chamam com “urgência” o ministro do Trabalho e Segurança Social, Vieira da Silva.  

António Leitão Amaro, vice-presidente da bancada social-democrata, acusa António Costa de contradizer as declarações do actual Provedor da SCML, Edmundo Martinho. “O primeiro-ministro fugiu às perguntas e pareceu até entrar em contradição com o Provedor”, afirmou em declarações aos jornalistas no Parlamento, referindo-se às condições da operação que já estariam fixadas de acordo com Edmundo Martinho.

O PSD exige ao Governo que “não haja qualquer concretização da operação” sem que a avaliação pedida esteja concluída, disse o deputado, considerando que o negócio é “altamente questionável” tendo em conta a natureza da SCML. Os sociais-democratas querem esclarecimentos “imediatos” por parte do Governo mas para já não vão pedir nenhuma audição parlamentar. O mesmo já não acontece com o CDS que quer ouvir o ministro que, nos últimos dias, tem estado envolvido noutro caso polémico relacionado com a Associação Raríssimas.

O líder da bancada Nuno Magalhães anunciou que as perguntas feitas pela líder do CDS ao primeiro-ministro no debate desta quarta-feira vão ser reenviadas para o ministro Vieira da Silva. “O primeiro-ministro não respondeu às perguntas”, justificou.

Da lista de dez perguntas dirigidas ao ministro através de requerimento parlamentar constam não só dúvidas sobre o montante envolvido como também “se o Governo deu ou não indicações ao anterior Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa [Pedro Santana Lopes] para fazer esta operação” e se houve “condições impostas pelo anterior Provedor” para “concretizar o negócio”. O líder da bancada do CDS ressalvou, no entanto, não considerar necessário nesta fase ouvir Santana Lopes sobre esta matéria.

Questionado sobre se o CDS é contra a operação, Nuno Magalhães afirma que, em primeiro lugar, o partido quer saber “porquê, em que condições e por que razão esta questão foi suscitada”, mas que por princípio “tem uma posição contrária”.