Insatisfeito com explicações, CDS questiona Vieira da Silva por escrito

Centristas enviam 15 perguntas ao ministro sobre o financiamento da instituição, o seu conhecimento das contas, a denúncia da Fedra e a “fundação” Raríssimas.

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Nuno Ferreira Santos

Depois da conferência de imprensa da semana passada e das três horas e meia de audição do ministro José Vieira da Silva na comissão parlamentar, o CDS encontrou 15 perguntas para as quais continuam a faltar respostas. Por isso, vai fazê-las por escrito  e enderçá-las ao gabinete do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que tem 30 dias para responder. Somam-se às primeiras seis, que o CDS enviou no dia 12.

De acordo com uma descrição exaustiva feita nesta terça-feira de manhã pelo deputado António Carlos Monteiro, as perguntas que ficaram por responder referem-se a todo o processo.

Vão desde a carta de denúncia da Fedra, em Janeiro, passando pelo alegado desconhecimento de Vieira da Silva sobre os relatórios e contas da Raríssimas – que aprovava como membro da Assembleia Geral –, até ao facto de a instituição se apresentar como “fundação” e de ter tido o patrocínio do ministério para a assinatura do protocolo com a congénere sueca Ågrenska, ou ainda pela atribuição de 150 mil euros do Fundo de Socorro Social em 2016.

Embora tenha sido abordada a questão do financiamento da Raríssimas na audição de Vieira da Silva na segunda-feira à tarde, não se falou na questão do Fundo de Socorro Social que, diz o CDS, terá atribuído à Raríssimas 150 mil euros, em 2016, para "reequilíbrio financeiro da instituição".

O CDS critica a "proximidade" do ministro, que permitiu que o seu gabinete fosse utilizado para a assinatura de um protocolo entre uma fundação sueca e uma "entidade que não existia", que era a "fundação" Raríssimas, cujo processo de passagem a fundação tinha sido chumbado. António Carlos Monteiro insiste nesta questão e na foto em que Vieira da Silva aparece a assinar um papel na presença dos presidentes da Raríssimas e da Ågrenska, em que não está esclarecido o que o ministro está a assinar. E estranha também que tenha em seu poder o protocolo assinado entre as duas instituições privadas. 

O deputado António Carlos Monteiro considera "evidente" que o ministro do Trabalho está fragilizado, dando como exemplos a sua não actuação no caso da queixa da Fedra, que "andou perdida quase um ano no ministério," ou por não ter pedido escusa de analisar assuntos relacionados com a Raríssimas.

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