Vamos ter medo, vamos ter muito medo na Cinemateca

A Cinemateca Portuguesa anuncia o seu primeiro ciclo para 2018: Janeiro é mês para ali procurar o prazer do medo.

Fotogaleria
Trabalhos de Casa, de Abbas Kiarostami
Fotogaleria
L’Arrivée d’Un Train en Gare de la Ciotat, dos irmãos Lumière
Fotogaleria
Psico, de Hitchcock

É o desejo mais ou menos secreto de todo o espectador: ir ao cinema para ter medo, para reviver medos básicos. É desse prazer que se alimenta o primeiro ciclo que a Cinemateca Portuguesa anuncia para 2018 e que vai preencher as sessões do mês de Janeiro: o Medo.

Sessão de abertura, a 3: L’Arrivée d’Un Train en Gare de la Ciotat, um dos filmes iniciais dos irmãos Lumière, e Psico, de Alfred Hitchcock. Juntos, um filme, de 1895, que, dizem os relatos ou as efabulações, levou ao descontrole dos espectadores devido à imagem do comboio a avançar na direcção da plateia, e o filme de 1960 com que Hitchcock deixou o espectador completamente sozinho na sala - sem personagem sequer para acompanhar.

É desse medo que se fazem as primeiras sessões, Eraserhead, de David Lynch, Les Yeux sans Visage, de Franju, Suspiria, de Dario Argento, Alien - O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott, A Semente do Diabo, de Roman Polanski ou Massacre no Texas, de Tobe Hooper. Mas, segundo os programadores, o ciclo também pretende encontrar o medo fora dos géneros que habitualmente o contêm, também pretende trabalhar o medo que não tem objecto definido, por isso mesmo tão assustador, e que pode ser a manifestação de uma ordem social ou política.

O que está no rosto das crianças de Trabalhos de Casa, de Abbas Kiarostami, ou na agitação das personagens de A Caça, de Manoel de Oliveira? Sim (o filme de Oliveira, para que não haja dúvidas, é exibido antes de A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero). Mais propostas de O Medo: Spielberg, Walt Disney, Cronenberg, Rossellini, Kurosawa, Kubrick, Jacques Tourneur, Chabrol ou Erice.