Ilustração

Ilustrarte ruma a Castelo Branco e bate recorde de participação

Depois do Barreiro e de Lisboa, é tempo de expor em Castelo Branco o que de melhor se faz em ilustração por todo o mundo. O júri da oitava edição terá de avaliar trabalhos de 3 mil ilustradores de 105 países.
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Uma das edições da Ilustrarte no Museu da Electricidade em Belém RITA CHANTRE / PUBLICO

A Ilustrarte — Bienal Internacional de Ilustração para a Infância “descentralizou-se” para Castelo Branco nesta sua VIII edição, em que recebeu trabalhos de 3 mil ilustradores de 105 países, com Itália a liderar, seguindo-se França e Espanha. Neste ano, houve muitos participantes do Irão e da Síria.

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As ilustrações seleccionadas (originais, inéditas ou publicadas nos últimos dois anos) serão expostas em Abril no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. “Um espaço muito bom, funcional, com uma programação dinâmica e grande ligação a Espanha. Fomos bem acolhidos e estamos muito satisfeitos”, disse ao PÚBLICO Eduardo Filipe, que comissaria a bienal com Ju Godinho desde a primeira edição, que data de 2003 e que aconteceu no Barreiro (Auditório Municipal Augusto Cabrita).

A Ilustrarte, que divulga o que de melhor se faz na ilustração para a infância em todo o mundo, encontrou nova parceria junto da autarquia albicastrense depois de duas edições em Lisboa, no Museu da Electricidade, que não quis dar continuidade ao projecto.

A justificação de Pedro Gadanho, director do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), chegou ao PÚBLICO, a nosso pedido, via email: “Dado que a programação do MAAT foi reorientada para se focar mais directamente na arte contemporânea, e nomeadamente nas suas relações com arquitectura e tecnologia, acabámos por descontinuar uma série de projectos do antigo Museu da Electricidade que lidavam com outras áreas de produção de conhecimento ou media mais específicos, como eram os casos da Ilustrarte ou da World Press Photo.”

A mostra internacional de fotos de imprensa foi acolhida em 2017 pelo Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, e decorreu de 28 de Abril a 21 de Maio.

Lisboa não está saturada

Na apresentação oficial da Ilustrarte 2018, nesta segunda-feira em Lisboa (Fnac do Centro Comercial Vasco da Gama), Ju Godinho deu conta de que na edição anterior a mostra teve mais de 25 mil visitantes, “com bilhetes pagos, a reverter para a Unicef”. E considerou: “Lisboa não está saturada. Paris está. E os grandes projectos já se fazem fora de Paris.” Por isso não percebe muito bem “como é que um projecto destes se deixa cair na capital”. Mas concluiu: “Isto [a Ilustrarte] faz-se em qualquer lado e estamos muito satisfeitos com Castelo Branco.”

A comissária disse ainda que os arquitectos da mostra (Pedro Cabrito e Isabel Diniz) sentiram que o espaço anterior (“museu da fundação, não o MAAT”) ficou “estragado” com a nova remodelação, pelo que estão entusiasmados com o desafio de imaginar a exposição num novo recinto. No entanto, Ju Godinho não quer deixar de sublinhar: “A EDP ajudou-nos bastante, tratou-nos muito bem. Nas três edições anteriores também fomos bem tratados, no Barreiro. Quando nos mandam embora, nós vamos. E saímos a bem.”

Sobre as novas escolhas no MAAT, o arquitecto Pedro Gadanho esclarece ainda: “Trata-se de uma adequação de estratégia curatorial, natural quando se cria um novo museu com uma filosofia e identidade específicas — e que, como é sabido, garante agora a programação dos espaços expositivos de ambos os edifícios geridos pela Fundação EDP no seu campus de Belém.”

Em rede na raia

Quem “aproveitou” o facto de a Ilustrarte ficar “desalojada” foi Teresa Antunes, que dirige o Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. Não querendo fazer julgamentos sobre as opções dos museus de Lisboa, a directora disse ao PÚBLICO que esta oportunidade lhe “caiu do céu”. Isto porque o projecto se enquadra “na programação e actividades do centro, assim como nos serviços educativos da biblioteca municipal”.

Teresa Antunes lembra que em Castelo Branco a Escola Superior de Educação conta com a professora Maria da Natividade Pires, “nome muito importante da literatura infantil”, e remete para o interesse desta iniciativa no âmbito da recente candidatura aos apoios europeus para a Rede 1, 2, 3, 4. Trata-se de uma programação em rede que envolve concelhos e instituições da raia, nomeadamente a Universidade de Salamanca, o Ayutamiento de Extremadura, Córdoba, Badajoz e a fundação Germán Sánchez Rupérez.

Também o presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, valorizou estas parcerias durante a apresentação em Lisboa, em que se informou que já há marcações “de escolas espanholas e belgas para visitar a exposição”.

O autarca lembrou: “As descentralizações são raras, mas conseguimos esta. Pode ser que depois desta descentralização, que foi conseguida com o esforço do orçamento de uma câmara, que não devia ser, consigamos outras descentralizações para a cultura no interior.” E não tem dúvidas de que esta iniciativa “irá promover e levar Castelo Branco por muitos países”.

Em Fevereiro, será feita a avaliação dos trabalhos por um júri internacional, de que fará parte, entre outros,  a vencedora da última edição, a ilustradora espanhola Violeta Lópiz, com o livro Amigos do Peito (editado em Portugal pela Bruaá), e o ilustrador e editor português André Letria.

A inauguração está prevista para Abril, provavelmente no feriado de dia 25.

Os vencedores das várias edições da Ilustrarte foram: 2004, Frédérique Bertrand; 2006, João Vaz de Carvalho; 2008, Susanne Janssen; 2010, Isabelle Vandenabeelle; 2012, Valerio Vidali; 2014, Johanna Benz; 2016, Violeta Lópiz.