Associação Portuguesa de Urbanistas quer resolver actual desordenamento do território

Constituição de uma única associação "é uma velha aspiração" dos profissionais da área do ordenamento do território e do planeamento urbanístico, diz responsável.

Não temos a concretização de planeamento florestal no ordenamento do território, diz associação
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Não temos a concretização de planeamento florestal no ordenamento do território, diz associação LUSA/Nuno André Ferreira

Mais de 220 profissionais da área do urbanismo constituíram hoje a Associação Portuguesa de Urbanistas (APU), visando contribuir na resolução do problema de desordenamento do território em Portugal, nomeadamente o desordenamento florestal, através de um maior reconhecimento da profissão.

"O desordenamento do território e as críticas consequentes estão, no nosso entender, relacionadas com a reduzida abrangência da prática urbanística e com a pouca utilização das figuras de planeamento necessárias ao correto ordenamento do território", afirmou Luís Pedro Cerqueira, um dos fundadores da APU, no âmbito da cerimónia de constituição da nova associação, que decorreu hoje à tarde Lisboa.

A APU resulta da decisão de unir esforços entre a Associação Portuguesa de Planeadores do Território (APPLA), a Associação Profissional dos Urbanistas Portugueses (APROURB) e a Associação dos Urbanistas Portugueses (AUP), organismos que agora se extinguem, indicou o responsável, explicando que a constituição de uma única associação "é uma velha aspiração" dos profissionais da área do ordenamento do território e do planeamento urbanístico.

"O nosso desafio é abrir caminho para um maior reconhecimento do território, do urbanismo e da profissão de urbanista, contribuindo na missão de defesa do interesse público do território enquanto recurso para a sociedade", advogou Luís Pedro Cerqueira, considerando que a constituição da APU é "um bom presente" para o ordenamento do território em Portugal.

Na perspectiva deste urbanista, que ocupava até hoje o cargo de presidente da AUP, "potenciar o recurso que constituem os profissionais da área do ordenamento do território e do planeamento urbanístico é um caminho seguro para combater dois desastres: incêndios e especulação no crédito hipotecário", já que "ambos privam a sociedade de futuro".

"Hoje temos um planeamento florestal, e isso é positivo, mas não temos a concretização desse planeamento florestal no ordenamento do território, não tem reflexos nem no planeamento regional, nem no planeamento de nível local, nomeadamente na classificação do uso dos solos nos Planos Director Municipal (PDM)", apontou Luís Pedro Cerqueira.

De acordo com o profissional na área do urbanismo, o PDM é uma figura de planeamento "insuficiente para o ordenamento do território".

"Temos abandonado práticas importantes das quais tínhamos experiência, como é o caso do desenho urbano, e isso resultou no desordenamento grande que temos fora dos perímetros urbanos, como é o caso do desordenamento na área florestal", declarou o urbanista, defendendo o reforço dos instrumentos de gestão do território.

Neste sentido, a APU vai assumir "um papel central" na procura de soluções para os problemas, quer do território, quer dos cidadãos, quer das instituições e das empresas, e ainda "no desenvolvimento e na criação de espaços funcionais, confortáveis e atraentes, procurando sustentar e acrescentar valor às cidades", disse Luís Pedro Cerqueira.