Descobrir a escultura musical de Surma

Editado em outubro, a estreia em álbum intitula-se Antwerpen (nome flamengo de Antuérpia, logo, música de referências setentrionais), no qual se fixou a fascinante forma sonora que vinha sendo exposta ao vivo por Surma, essa banda-de-uma-só-mulher. E exposta também em vídeo nesta galeria, dedicada às peças vídeo musicais portuguesas. Foi aqui destacado o videoclipe que o anunciava e nele havia corpos a contorcerem-se, ou a despertarem da mente da artista, como reflexo do seu “corpo musical”. Ora convém explicar que o álbum foi sendo produzido a meias por alguns elementos da banda First Breath After Coma, os quais formam também o coletivo artístico que está a ser um caso sério no panorama audiovisual nacional, que assinava a autoria desse Hemma e agora também deste Plass (espaço, em norueguês). Os da CASOTA Collective foram assim cúmplices do processo de descoberta sonora deste delicado sonho pop eletrónico de encantos estranhos. Ou seja, ajudaram-na a urdir um som intrincado mas intimista, com tanto de sugestivas matérias concretas quanto de evocativas ambiências oníricas. E porque os vídeos são hoje uma extensão quase epidérmica da música, é sobre o corpo da artista que se molda esta impactante forma visual, que é metafórica da sua escultura musical. Por fim, recomendamos que se ouça aqui o álbum e que se atente bem na sua imagem de capa.

 

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.