Autoeuropa pára produção por falta de peças

Fábrica da VW em Palmela interrompe trabalho entre 26 e 29 de Dezembro, em ambiente de tensão laboral.

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Produção deverá ser retomada a 2 de Janeiro Daniel Rocha

A Autoeuropa vai interromper a sua produção fabril nos próximos dias 26 a 29 de Dezembro, ou seja, durante toda a próxima semana.

De acordo com um curto comunicado enviado pela fábrica da Volkswagen em Palmela (Setúbal), a paragem “deve-se à quebra no fornecimento de peças críticas para o processo produtivo”.

A laboração, diz a empresa, “retomará o normal ritmo de produção no turno da manhã” do dia 2 de Janeiro.

Na sexta-feira, segundo noticiou então o Jornal de Negócios, a fábrica da VW também esteve parada por falta de componentes. Além do T-Roc, são produzidos os modelos Sharan e Seat Alhambra.

Estas paragens acontecem num contexto de instabilidade laboral, devido ao novo modelo de trabalho a aplicar por causa das metas de produção do T-Roc.

Depois de ver dois pré-acordos negociados com diferentes comissões de trabalhadores (CT) serem chumbados pelos funcionários, a administração avançou unilateralmente com a aplicação de um modelo que vai vigorar a partir de Janeiro e até Agosto. Nesse período, a gestão liderada por Miguel Sanches diz querer negociar com a CT (que considera ser o seu único interlocutor negocial) um acordo válido a partir do Verão.

Já a CT rejeitou a estratégia da administração e convocou plenários para esta quarta-feira, dia 20. Na ordem de trabalhos está “discutir a situação da empresa e exigência de nova negociação”, “apresentação do caderno reivindicativo” e “outros”.

Entretanto, na sexta-feira houve uma reunião entre a CT, gestão e o Governo, no Ministério do Trabalho e que contou com a presença do ministro Vieira da Silva.

No final do encontro, foi referido que administração e os trabalhadores iriam voltar a encontrar-se esta segunda-feira, faltando perceber ainda se haverá algum avanço a apresentar no dia dos plenários.

Em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, divulgada esta segunda-feira, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, mostrou-se muito crítico do modelo social que tem vigorado na fábrica de Palmela.

"Todos nós falhámos quando permitimos que fosse exclusivamente a comissão de trabalhadores [onde a UGT não tem representantes] a determinar o rumo das negociações por imposição da empresa. Foi a empresa que impôs este modelo e nós fomos aceitando", afirmou.

Para Carlos Silva, o actual modelo de negociação da Autoeuropa "está esgotado", e deve ser dada primazia aos sindicatos, a quem cabe a "prerrogativa da negociação colectiva em Portugal".