A lâmina musical de Felipe Antunes volta a cortar o silêncio em Lisboa

O cantor e compositor paulista Felipe Antunes, vocalista do grupo Vitrola Sintética, apresenta-se a solo em Lisboa. Este domingo, no Espaço Espelho d’Água, às 18h.

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Felipe Antunes DR

Não é a primeira vez que Felipe Antunes actua em Portugal. Em 2016 fez uma digressão por terras portuguesas e espanholas e até gravou em Marvão um vídeo com Telepatizar, uma canção do seu primeiro disco a solo, Lâmina, lançado nesse mesmo ano. Está agora de volta para um concerto no Espaço Espelho d’Água, em Lisboa, este domingo, às 18h.

Brasileiro nascido em São Paulo, em 1983, Felipe foi um dos fundadores, em 2008, do grupo musical Vitrola Sintética, composto por ele (voz e guitarra), Rodrigo Fuji (piano e guitarra), Otávio Carvalho (baixo e sintetizadores) e Kezo Nogueira (bateria e mpc). O primeiro disco da banda, Notícias, foi lançado em 2009, seguindo-se-lhe Expassos (2013), Sintético (2015) e Sintético B (2016). Nestes dois últimos anos, a banda foi nomeada por três vezes para o Grammy Latino e andou em digressão pelos EUA.

Ora foi precisamente em 2016 que Felipe gravou e lançou o seu primeiro disco a solo, em formato disco-livro, e com influências de poetas como Rimbaud e Maiakovski ou os brasileiros Drummond de Andrade e Hilda Hilst. Com canções como Telepatizar, Vai por mim, Pretensão, Descansar, Veio do tempo, Cru, Acomodar ou Nunca talvez, o disco Lâmina é, como Felipe disse à Rolling Stone brasileira, em 2016, “um trabalho sobre a memória”: “Talvez ele possa soar autobiográfico justamente porque algumas das canções enveredam para esse caminho do confessional, mas ele é também um trabalho sobre a memória de toda uma geração e das gerações que vieram antes.”

Este ano, compôs para a peça Cabaré García!, de Renan Tenca, um tema inédito, Epidemia, que depois lançou dividindo os vocais com a cantora Ná Ozzetti, uma das participantes no disco Lâmina. Entre várias composições para cinema e teatro, Felipe está a trabalhar numa obra de Bertolt Brecht, com a actriz Bete Coelho, para 2018. Nesse mesmo ano, a banda Vitrola Sintética deverá comemorar o seu décimo aniversário com um espectáculo especial, produzindo ainda o seu quarto disco, que deverá “aprofundar o diálogo com a América Latina” criado a partir das suas nomeações para o Grammy Latino. Uma das faixas do disco será Voz, gravada com a cantora argentina Marilina Bertoldi (Prémio Gardel para Melhor Artista de Rock Feminina em 2017).

No Espaço Espelho d’Água, onde têm actuado vários músicos brasileiros (como Bianca Gismonti, Tiê, Pélico, César Lacerda, Camará ou Túlio Mourão), Felipe vai cantar e tocar temas de Lâmina, mas também do Vitrola Sintética e alguns ainda por gravar.