INE estima aumento de quase 30% no preço do azeite

Produtores de batata registaram quebra de 27,3% no preço pago em 2017. Amêndoas vão ter ano “único” e produção de kiwis é a maior “de sempre”, de acordo com as contas económicas da agricultura, hoje divulgadas

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Na campanha actual, os olivais regados atingiram a maturação da maioria dos frutos, perspectivando-se uma produção elevada (aumento de 15%) Rui Gaudencio

O Instituto Nacional de Estatística (INE) perspectiva que o azeite tenha, em 2017 um “aumento dos preços base” de 29,6% e acrescenta que é “expectável um decréscimo de produção em volume” de 9,3%.

Os dados, avançados esta quarta-feira, 13 de Dezembro, nas Contas Económicas da Agricultura, incluem, neste caso, informação de duas campanhas oleícolas (a anterior, de 2016/2017 e a actual, de 2017/2018).

O gabinete estatístico explica, que, nesta categoria de produção vegetal, “na campanha actual, os olivais regados atingiram a maturação da maioria dos frutos, perspectivando-se uma produção elevada (aumento de 15%)”.

“Pelo contrário”, acrescenta no comunicado hoje disponibilizado publicamente, “nos olivais de sequeiro, que abrangem uma área maior, a escassa precipitação de Setembro e Outubro, aliada às elevadas temperaturas, conduziu a uma produtividade inferior”, com queda precoce ou menor desenvolvimento dos frutos , e “afectou negativamente o teor em gordura das azeitonas”, erodindo o seu valor comercial.

Conclui ainda o INE que “a redução de oferta interna, aliada ao aumento de procura internacional (em consequência da redução da oferta dos países produtores e aumento de consumo a nível mundial) geraram um aumento de preços deste produto no ano de 2017”.

Nas Contas Económicas da Agricultura, hoje divulgadas e que representam a primeira estimativa para o corrente ano das contas do sector, o INE prevê ainda que o “rendimento da actividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), deverá registar um decréscimo de 2,4%”. Crescera 17,5% em 2016.

“Esta diminuição” face ao ano anterior, “foi determinada pela expressiva redução dos outros subsídios à produção”, que sofreram uma quebra homóloga de 25,4%, “tendo o valor acrescentado bruto (VAB) aumentado 4,5%”, face a uma diminuição de 1,5% em 2016.

Preço pago ao produtor de batata leva corte de 27,3%

No total, o INE antecipa que a produção vegetal, globalmente, registe uma diminuição dos preços base, pagos no produtor, de 2,7%. Este desempenho do preço acompanha um acréscimo esperado de 7,2% do volume da produção agrícola em 2017.

Se para o azeite o INE estima um crescimento do preço pago na produção de quase 30%, o inverso é também verdade para a batata. Em rigor, o INE estima que a produção de batata tenha um aumento de volume de 13,7% em 2017 ”em resultado da área plantada” em 5%, e da produtividade da batata de regadio, em 10%. E acrescenta que “a qualidade da batata colhida foi, de um modo geral, boa”.

Contudo, “os preços praticados [à produção de batata] registaram uma redução significativa” este ano – de 27,3%  - o que o INE ajuda a contextualizar: a quebra deste ano verifica-se “após um grande aumento em 2016”, de 58%.

Amêndoas com produção “única”

No que toca aos frutos, o INE destaca as amêndoas. As amendoeiras, diz a entidade estatística "apresentaram uma quantidade substancial de frutos e as previsões apontam para uma produção superior a 20 mil toneladas”.

O que, comparado com 2016, representa um crescimento de 255% - “situação única neste século”, garante a entidade estatística.

Recorde-se que, nos terrenos privados em torno da barragem do Alqueva – cuja irrigação tem sido financiada por fundos comunitários – a amêndoa tem sido uma das produções que maior investimento (sobretudo estrangeiro) tem captado no Alentejo nos últimos anos.

Kiwi com maior produção “de sempre”

No global das culturas frutícolas, a perspectiva agora divulgada das contas económicas da agricultura para 2017 (que serão revistas em Janeiro próximo), é de um acréscimo de 17,2% em volume, “em consequência de uma maior produção de maçã, pêra, pêssego, kiwi, frutos de baga e amêndoa”.

O aumento do volume terá “uma redução dos preços [ao produtor] em relação ao ano anterior”, de 1,4%, “em resultado de uma descida generalizada para todos os frutos, com excepção da maçã”.

“A produção de kiwi foi a maior de sempre”, salienta o INE, “tendo-se atingido as 31 mil toneladas, como resultado do acréscimo de produtividade por hectare e, sobretudo, da entrada em plena produção das plantações recentes”.

Vinho "de qualidade superior"

No caso do vinho, as contas agrícolas apontam para um aumento de 10% em volume e igual acréscimo, nominal, em valor. Não é dada referência para a evolução do preço pago à produção.

“A vindima foi feita com tempo seco, pelo que são esperados vinhos de qualidade superior”, adianta o INE, acrescentando que as uvas entregues à produção vinícola “encontravam-se, em geral, em boas condições sanitárias, bem amadurecidas e com elevados teores de açúcar”.  

Actualizado às 13h50m com informação adicional