Países da ONU assinam resolução para eliminar plástico dos mares

Medida pretende eliminar a poluição para preservar a vida marinha e impedir que o plástico entre na cadeia alimentar humana.

Se as taxas de poluição actuais se mantiverem, haverá mais plástico do que peixes no mar até 2050
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Se as taxas de poluição actuais se mantiverem, haverá mais plástico do que peixes no mar em 2050 LUSA/PIYAL ADHIKARY

Os 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) assinaram nesta quarta-feira uma resolução da ONU para eliminar a poluição dos mares. Se as taxas de poluição actuais se mantiverem, haverá mais plástico do que peixes no mar em 2050, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que organizou a reunião. Oitenta milhões de toneladas de plástico (garrafas, embalagens e outros resíduos) são lançados no oceano todos os anos, matando a vida marinha e entrando na cadeia alimentar e nos animais consumidos pelos humanos, acrescentou o PNUMA.

"Há uma linguagem muito forte nesta resolução", disse o ministro do Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen, à Reuters. "Agora temos um acordo para explorar um instrumento juridicamente vinculativo e outras medidas, e isso será feito a nível internacional nos próximos 18 meses", acrescentou, explicando que a Noruega deu início à resolução pois viu em primeira mão as evidências dos danos causados pela poluição.

“Encontrámos microplásticos dentro de mexilhões, algo que é muito apreciado na nossa gastronomia”, disse Helgesen. “Em Janeiro deste ano, uma baleia de uma espécie extremamente rara estava encalhada numa praia por causa de um esgotamento e teve de ser abatida. Encontraram 30 sacos de plástico no seu estômago”, rematou.

A China é o maior produtor de resíduos de plástico, mas começou a fazer esforços para reduzir essa prática, disse o chefe do PNUMA, Erik Solheim. “Se há uma nação de momento que está a mudar mais do que qualquer outra, é a China. A velocidade e a determinação do governo para mudar é enorme”, disse Solheim.

O chefe do PNUMA disse querer ver os governos proibirem e redesenharem algumas embalagens: “Vamos abolir os produtos que não precisamos. Se visitarem alguns sítios turísticos como Bali, uma enorme quantidade do plástico retirada dos oceanos são palhinhas”. Sobre a resolução, os países concordaram em começar a monitorizar a quantidade de plástico que deitam no oceano.

“Embora [a declaração] não seja um tratado, está a ser feito um progresso significativo. Trinta e nove governos anunciaram novos compromissos para a redução da quantidade de plástico no mar”, disse o chefe de advocacia pública no PNUMA, Sam Barrat. “Chile, Omã, Sri Lanka e África do Sul anunciaram hoje medidas que incluem a proibição de sacos de plástico, novas reservas marinhas e unidades para aumentar a prática da reciclagem”, concluiu.