Câmara do Porto irá pagar manutenção e seguro dos Mirós

A decisão só terá efeitos práticos quando a colecção, que ainda se mantém formalmente na tutela do Ministério das Finanças, estiver definitivamente à guarda da autarquia.

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A exposição de Miró no Palácio Nacional da Ajuda daniel rocha

A Câmara Municipal do Porto vai assumir os custos de manutenção e do seguro da colecção Miró logo que esta esteja definitivamente à sua guarda. A informação foi prestada esta segunda-feira à noite, na reunião da Assembleia Municipal, pelo presidente da autarquia, Rui Moreira, que adiantou existir já um protocolo com o Ministério da Cultura (MC) no qual “ficaram definidas as condições” em que as 85 obras do artista catalão provenientes do Banco Português de Negócios (BPN) ficarão na cidade.

Actualmente exposta no Palácio Nacional da Ajuda, onde deverá permanecer até ao dia 8 de Janeiro do próximo ano, a colecção deverá depois regressar ao Porto, estando já decidido que a sua morada permanente será a Casa de Serralves, que sofrerá, para esse efeito, uma intervenção encomendada ao arquitecto Álvaro Siza.

Rui Moreira não adiantou quanto poderá custar anualmente à autarquia assegurar a manutenção e o seguro da colecção, valores que de resto não estarão definitivamente fixados, até porque, embora a decisão política de instalar a colecção no Porto já tenha sido tomada pelo Governo de António Costa no final de 2016, as obras de Miró ainda se encontram formalmente sob a tutela do Ministério das Finanças e terão, antes de mais, de ser transferidas para o Ministério da Cultura.

A colecção foi apresentada pela primeira vez na Casa de Serralves entre Outubro de 2016 e Junho deste ano, na exposição Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, comissariada por Robert Lubar Messeri, que recebeu mais de 240 mil visitantes. A notícia de que as obras do artista catalão ficariam em permanência na Casa de Serralves fora anunciada pouco antes da inauguração, em Setembro de 2016. Rui Moreira justificou então a decisão com o facto de os recursos técnicos do Museu de Arte Contemporânea garantirem “a maximização do projecto”, salientando ainda que a solução encontrada – que descreveu como a criação de um “pólo municipal” em Serralves – tinha a vantagem de ser muito menos onerosa para o erário público do que a construção de um novo museu.

Nas negociações entre a autarquia e a fundação chegou também a ser colocada em cima da mesa a possibilidade de uma eventual colaboração no projecto do Matadouro, que poderia passar pela abertura de um espaço a cargo de Serralves no futuro pólo cultural previsto para a zona oriental da cidade, mas essa hipótese não voltou desde então a ser publicamente assumida por nenhuma das instituições.