Mais de mil médicos emigraram nos últimos três anos

Reformas abrandaram em 2016, ano em que se aposentaram apenas 237 profissionais.

MARIA JOAO GALA
Foto
MARIA JOAO GALA

Em três anos, entre 2014 e 2016, foram mais de mil (1225) os médicos portugueses que emigraram. Sairam para ir trabalhar sobretudo para o Reino Unido, a Suiça, a Alemanha, França e Espanha, indicam os últimos dados nacionais da Ordem dos Médicos (OM), que desde há anos monitoriza a emigração e contacta os profissionais para perceber quantos se fixaram de facto no estrangeiro.

A saída de médicos para trabalhar no estrangeiro não é um fenómeno novo, mas a OM começou a seguir com particular atenção este movimento nos últimos anos, perguntando a todos os médicos que pediram a documentação necessária para emigrar (os chamados “good standing certificates”) se concretizaram ou não essa intenção.

No ano passado, apesar de não ser possível fazer uma leitura rigorosa da situação - porque a Secção Regional do Sul da OM está mais atrasada e não contactou ainda 186 profissionais do total daqueles que pediram estes certificados -, as saídas diminuíram face a 2015, ano em que emigraram 475 médicos, o número mais elevado de sempre desde que há registo na OM. No ano anterior tinham emigrado 366 profissionais.

Em 2016, ainda só foi possível confirmar com rigor que foram trabalhar para o estrangeiro 198 médicos. No Norte, as saídas até suplantaram as do ano anterior (125 contra 113 em 2014), ao contrário do que aconteceu no Centro (22 contra 51). No Sul, os dados não são comparáveis (em relação ao ano passado só estão por enquanto confirmados 51 casos).

Procuram melhores condições

Além de procurarem melhores condições de trabalho e remuneração, há muitos médicos que saem do país também para fazerem a especialidade porque não conseguem uma vaga em Portugal ou porque não têm nota para fazerem a especialidade pretendida.

O que abrandou entretanto foi o movimento de saída por aposentação. Apesar de os médicos continuarem aparentemente muito descontentes com as condições do SNS, no último ano os casos de reforma diminuíram substancialmente, depois do pico atingido nos anos da troika. De acordo com o último Balanço Social do Ministério da Saúde, em 2016 aposentaram-se 237 médicos (72  com reformas antecipadas), quando em 2014 se reformaram 712, muitos deles antecipadamente.