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Melhorar a vida dos utentes, facilitando a dos enfermeiros

Aplicação Nursing Assistant Platform foi criada por cinco estudantes de informática e da área de saúde e promete diminuir gastos dos hospitais ao mesmo tempo que garante mais atenção aos utentes. Ideia já lhes valeu um prémio

Sempre que acaba o turno de trabalho, um enfermeiro tem tarefas burocráticas (e demoradas) a cumprir. É preciso preencher à mão um quadro com os procedimentos adoptados para cada doente e completar os registos individuais no sistema informático. Neusa Pereira, estudante de enfermagem, deparou-se com esse cenário quando começou a ter aulas práticas e ao fazer um estágio em contexto hospitalar. Quando, no final de Novembro, pensava com a sua equipa numa ideia para participar na Hackathon HeartBits, uma maratona para estudantes de informática e saúde, a lembrança voltou: e se criassem uma aplicação móvel capaz de minimizar este problema?

Chama-se Nursing Assistant Platform (NAP) e quer melhorar o serviço prestado aos utentes facilitando a vida dos enfermeiros. “Se os profissionais tiverem mais tempo para estar com o doente os cuidados prestados vão ser melhores”, explica Neusa, que criou a app com Carolina Machado (estudante de medicina) e Samuel Ferreira, José Santos e Marcos Luís (estudantes de informática).

As contas foram feitas por baixo — e mostram, ainda assim, ganhos significativos. Usando o Hospital de Braga como referência, os estudantes concluíram que em cada oito horas de trabalho duas eram gastas em processos burocráticos (sem contar com os registos feitos durante o turno). Se, com a app, conseguissem diminuir esse tempo em meia hora, então, num universo de 500 enfermeiros, isso significaria 132 mil horas e 900 mil euros poupados ao fim de um ano.

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Equipa da Nursing Assistant Platform DR

“A gestão da informação nos hospitais é muito antiquada”, aponta Neusa Pereira. “Os quadros são escritos à mão, a probabilidade de erro é grande, a caligrafia pode ser ilegível. E perde-se muito tempo a fazê-lo.” Tudo evitável, dizem os estudantes, se a NAP for utilizada.

A ideia mereceu o aplauso do júri do Hackathon HeartBits, que distinguiu a equipa de estudantes, todos com 21 anos, com o prémio principal. A NAP funciona através da leitura de um QR Code (cada cama tem um código associado), que memoriza qual o procedimento efectuado e o guarda na base de dados do servidor. Assim, todos os dispositivos ligados à aplicação podem aceder aos dados em tempo real.

Para já, a equipa está ainda a desenvolver o modelo de negócio da NAP e a desenvolver um protótipo que possa ser posto em prática. O objectivo é começar a testá-lo, idealmente durante o próximo ano, num hospital privado.