Estragos causados pelas inundações do Mondego de 2016 continuam por reparar

Quase dois anos depois, intervenções no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e no Parque Verde ainda nem começaram.

Foto
O mosteiro de Santa Clara-a-Velha foi cercado pelas àguas, em 2016 Sérgio Azenha

O mosteiro de Santa a Clara a Velha e os bares do Parque Verde do Mondego sob um manto de água foram imagens marcantes das cheias de Janeiro e Fevereiro de 2016, em Coimbra. Quase dois anos depois, as duas estruturas continuam à espera da intervenção que recupere os estragos causados pela subida das águas. Isto apesar de as duas instituições responsáveis já terem avançado com os procedimentos para dar início aos trabalhos.

No caso do Mosteiro de Santa Clara a Velha, a Direcção Regional da Cultura do Centro (DRCC) aguarda a aprovação da candidatura a fundos comunitários para avançar com a intervenção. Assim que a candidatura tenha luz verde, a DRCC “iniciará de imediato a abertura de concursos para as diferentes áreas de intervenção”. As obras “irão decorrer durante o ano 2018, de forma faseada, para possibilitar que o Mosteiro se mantenha aberto ao público”, avança a instituição em resposta a um pedido de esclarecimento do PÚBLICO.

A DRCC faz ainda saber que entregou a candidatura ao financiamento da Europa no mês de Outubro e que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro – estrutura que gere os fundos – dispõe de 45 dias úteis “para análise e aprovação”. Ou seja, o prazo corre até ao final de Dezembro. Durante a apresentação dos trabalhos de restauro, já em Janeiro deste ano, a directora da DRCC, Celeste Amaro, referia aos jornalistas que os trabalhos deveriam arrancar durante Verão. A intervenção deve custar cerca de 500 mil de euros, e será comparticipada a 85% por fundos comunitários.

A entidade escreve ainda que “a complexidade da intervenção e a necessidade de avaliar com rigor o restauro do Mosteiro e ruína arqueológica originou um atraso na entrega do projeto pelo Atelier 15”, dos arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, os mesmos que desenharam a recuperação do monumento quando este abriu ao público em 2009.

Parque Verde na mesma

Em meados de Novembro, a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) adjudicou as obras de remodelação do Parque Verde, uma estrutura municipal com estabelecimentos comerciais na margem direita do rio Mondego que foi igualmente danificada pela intempérie. O presidente da CMC, Manuel Machado justifica a delonga do processo com os procedimentos de contratação pública.

A ampliação do Parque Verde, que vai ganhar um piso superior de forma a possibilitar o seu funcionamento parcial em caso de cheia, custa ao município 778 mil euros mais IVA e deve demorar seis meses a concluir. No entanto, este prazo só começa a contar a partir do momento em que o Tribunal de Contas aprove a operação, pelo que não há garantias de que os estabelecimentos estejam abertos na época alta. Se tal não acontecer, é o terceiro ano em que os bares do Parque Verde permanecem fechados durante o Verão.

Acresce que há ainda que lançar o concurso para exploração dos estabelecimentos, algo que só será possível fazer “numa fase adiantada” das obras, explica o autarca. Manuel Machado falava ao PÚBLICO à margem da reunião do executivo municipal. Durante o encontro os vereadores aprovaram um novo pacote de intervenções para recuperar infraestruturas danificadas pela subida das águas do Mondego em 2016.

A empreitada, que custa 166 mil euros mais IVA e tem também um prazo de execução de seis meses, vai ser levada a cabo em seis zonas do concelho, nas freguesias de Ceira, Cernache, Santo António dos Olivais, S. Silvestre e União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas. Estão previstas obras em muros e estabilização de taludes.

O Mondego galgou as margens em Janeiro e novamente em Fevereiro de 2016. Para além dos danos causados no mosteiro e de prejuízos de mais de dois milhões de euros em património municipal, a subida das águas inundou casas e estabelecimentos comerciais privados. Também houve registos de estragos a jusante de Coimbra. Um ano depois foi apresentado um relatório elaborado pela Ordem dos Engenheiros que responsabiliza a EDP pela gestão da barragem da Aguieira pelas cheias de Janeiro. A energética negou quaisquer más práticas.