Perguntas e Respostas

O que é a tempestade Ana e que cuidados devemos ter?

O “pior” da primeira tempestade a ser baptizada (por Espanha) acontece entre o final da tarde de domingo e a madrugada de segunda-feira. As tempestades só terão nome em caso de ventos fortes.

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Depois da tempestade Ana virá a tempestade Bruno. Os nomes são dados por ordem alfabética e alternando nomes de homem e de mulher Diogo Baptista

O que é a tempestade Ana?

A tempestade Ana começou a afectar o país na manhã deste domingo e traz consigo ventos fortes e precipitação intensa (mas também forte agitação marítima e possível queda de neve nos pontos mais altos). O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu um aviso vermelho para oito distritos do país por causa do vento que soprará com rajadas até aos 110 quilómetros à hora, podendo chegar aos 130 quilómetros à hora nas terras altas das regiões Norte e Centro. A tempestade passa a Noroeste de Portugal e não atinge verdadeiramente o território continental.

Quanto tempo vai durar?

Tecnicamente conhecida como ciclogénese explosiva, esta tempestade é caracterizada pela sua curta duração. A altura mais crítica será entre o final da tarde de domingo (às 18h) e as 6h da manhã de segunda-feira, explica ao PÚBLICO a meteorologista do IPMA Maria João Frada. “Quando as pessoas acordarem na segunda-feira, já terá passado”, diz.

Passada a tempestade, não é certo que venha a bonança mas o frio virá certamente: a meteorologista avisa que haverá uma descida acentuada das temperaturas nos próximos dias, sobretudo nas regiões Norte e Centro; a presença de vento poderá ainda dar uma sensação acrescida de frio, explica Maria João Frada. Na segunda-feira é possível que continue a haver algumas rajadas de vento e aguaceiros, mas com menor intensidade. É também provável que haja trovoada e granizo durante a noite e madrugada; poderá cair neve nos pontos mais altos (acima de 800 metros), com maior incidência nos distritos de Braga, Vila Real e Guarda.

Por que é que esta tempestade tem um nome?

A Ana é a primeira tempestade a ser baptizada através de um projecto de denominação conjunto de Portugal (através do IPMA), de Espanha (AEMET) e de França (MéteoFrance), que está em vigor desde o início deste mês. O primeiro dos três países a accionar um alerta laranja ou vermelho unicamente em relação ao vento, dá o nome à tempestade – neste caso, foi Espanha quem deu o nome à tempestade Ana. O alerta vermelho em relação ao vento só é accionado quando há ventos superiores a 130 quilómetros por hora.

“É mais fácil assim”, esclarece a meteorologista Maria João Frada, argumentando que simplifica a comunicação (tanto na comunidade científica como na população). Antes, os meteorologistas nos três países referiam-se às tempestades como depressões que passaram numa determinada altura pelo país.

Dar um nome tem o risco de banalizar estas tempestades?

Quanto à possibilidade de banalizar a utilização de nomes de tempestades e diminuir a sensação de alerta, a meteorologista do IPMA refere que “nada tem a ver” e que “os furacões são um caso diferente”. “A Europa já faz isto há algum tempo e nós temos de nos actualizar”, defende, dando como exemplo a Alemanha e o projecto do Reino Unido e da Irlanda que está em vigor desde o ano passado.

Quais os próximos nomes de tempestade?

O sistema de nomenclatura intercala nomes de homens e de mulheres, por ordem alfabética. A seguir à Ana vem Bruno, depois Carmen, David, Emma, Félix, Gisele, Hugo, Irene, José, Katia, Leo, Marina, Nuno, Olivia, Pierre, Rosa, Samuel, Telma, Vasco e Wiam, enumera a imprensa espanhola – o IPMA recusou divugar a lista.

Quais os distritos mais afectados pela tempestade Ana?

Entre domingo e a madrugada de segunda-feira, oito distritos do Norte e Centro do país estão sob aviso vermelho em relação ao vento devido a “situação meteorológica de risco extremo”. Os distritos em alerta vermelho são Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Viseu e Guarda. De resto, todos os distritos de Portugal continental estão em alerta laranja por causa do vento, precipitação, agitação marítima ou neve. Estes avisos aplicam-se ao território continental e as ilhas não têm razão para alerta, apesar de haver “algumas ondas e vento” na Madeira, diz Maria João Frada.

Que danos pode causar esta tempestade? 

A Protecção Civil alerta para a possibilidade de “cheias rápidas em meio urbano” e inundações por transbordo de linhas de água “nas zonas historicamente mais vulneráveis”. São ainda esperados “danos em estruturas montadas ou suspensas” e a queda de ramos ou árvores por causa dos ventos fortes. A lista feita pela Protecção Civil é a seguinte:

  • Piso rodoviário escorregadio e eventual formação de lençóis de água e/ou gelo;
  • Possibilidade de cheias rápidas em meio urbano devido à acumulação de águas pluviais ou insuficiência dos sistemas de drenagem;
  • Danos em estruturas montadas ou suspensas;
  • Possibilidade de queda de ramos ou árvores em virtude de vento forte;
  • Dificuldades de drenagem em sistemas urbanos, nomeadamente em períodos de preia-mar, podendo causar inundações em locais mais vulneráveis;
  • Inundações de estruturas urbanas subterrâneas devido a deficiências de drenagem;
  • Inundação por transbordo de linhas de água nas zonas mais vulneráveis;
  • Ocorrência de fenómenos geomorfológicos causados por instabilidade de vertentes associados à perda da sua consistência por saturação dos solos;
  • Obstrução de vias de circulação por queda de árvores, deslizamento ou desabamento de terras, pedras ou outras estruturas;
  • Possibilidade de acidentes na orla costeira.

Que cuidados é preciso ter?

É recomendado que se evite atravessar zonas inundadas, que se pratique uma “condução defensiva” a velocidades moderadas, que se garanta a fixação de estruturas soltas e que não se pratiquem actividades relacionadas com o mar, como a pesca desportiva, passeios à beira-mar ou desportos náuticos. A lista feita pela Protecção Civil é a seguinte:

  • Abster-se de atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas e/ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Adoptar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível acumulação de neve e formação de lençóis de água nas vias;
  • Fixar as estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
  • Observar especial cuidado na circulação e permanência junto a áreas arborizadas, devido à possibilidade de queda de ramos e árvores em virtude de vento mais forte;
  • Evitar a circulação e permanência nas terras altas, onde as rajadas de vento esperadas são fortes ou muito fortes;
  • Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e a retirada de inertes e outros objectos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
  • Proceder à colocação das correntes de neve nas viaturas sempre que se circular nas áreas atingidas pela queda de neve;
  • Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando-se circular e permanecer nesses locais;
  •  Abster-se de praticar actividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando-se ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
  • Prestar atenção às informações da meteorologia e às indicações da Protecção Civil e das Forças de Segurança.

O que é o aviso vermelho?

O aviso vermelho emitido pelo IPMA é o mais grave numa escala de quatro e corresponde a situações meteorológicas “de risco extremo”, sendo conveniente que a população se mantenha ao corrente da evolução da meteorologia. O aviso vermelho deste domingo nos oito distritos supramencionados diz unicamente respeito a ventos fortes.