Netanyahu: palestinianos têm de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel

Presidente francês criticou Trump e pediu "gestos corajosos" a Israel. Mas primeiro-ministro israelita diz que a cidade "nunca foi a capital de qualquer outro povo" que não o judeu.

Fotogaleria
Macron disse a Netanyahu que a posição assumida pelos EUA é uma "ameaça à paz" PHILIPPE WOJAZER /EPA
Fotogaleria
Protestos em Beirute contra a decisão norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel WAEL HAMZEH/EPA
Fotogaleria
Um palestiniano esfaqueou um segurança na principal estação de autocarros de Jerusalém ABIR SULTAN/EPA

Benjamin Netanyahu diz que quanto mais cedo os palestinianos assumirem que Jerusalém é capital de Israel “e não de qualquer outro povo” mais cedo haverá paz. O primeiro-ministro israelita falava ao lado do Presidente francês, Emmanuel Macron que, em vão, lhe pediu “gestos corajosos” para sair do actual impasse.

O encontro no Palácio do Eliseu – primeira etapa de um périplo que levará Netanyahu nesta segunda-feira a encontrar-se com os chefes da diplomacia europeia em Bruxelas – aconteceu horas depois de protestos violentos junto à embaixada norte-americana em Beirute e após um palestiniano de 24 anos, residente na Cisjordânia, ter esfaqueado um segurança israelita na principal estação de autocarros de Jerusalém.

A polícia descreveu o incidente como um “ataque terrorista” e a imprensa adianta que o atacante, detido no local, tinha deixado uma mensagem no Facebook com referências à decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e mudar para a cidade a sua embaixada no país.

Macron começou por condenar “com total clareza todas as formas de ataques dos últimos dias e horas contra Israel”, mas acrescentou de imediato que “a declaração de Trump sobre Jerusalém é uma perigosa ameaça à paz”, ao minar o consenso internacional de que o estatuto futuro da cidade – reclamada como capital tanto por israelitas como palestinianos – só pode ser decidido através de negociações. E, apesar do ambiente hostil, Macron pediu a Netanyahu que “dê uma nova oportunidade” ao diálogo, sugerindo que adopte “gestos generosos em relação aos palestinianos”, entre eles a suspensão da expansão dos colonatos na Cisjordânia.

Mas Netanyahu, que à partida de Israel tinha lamentado que os europeus não fossem igualmente rápidos a condenar os ataques contra Israel, mostrou-se pouco disponível para cedências. Afirmou que “Jerusalém é há três mil anos a capital de Israel” e “nunca foi a capital de qualquer outro povo” que não o judeu. “Quanto mais cedo os palestinianos aceitarem esta realidade, mais cedo avançaremos em direcção à paz”, sublinhou, dizendo que o “gesto mais simples” que pode oferecer a Mahmoud Abbas é a disponibilidade para dialogar. “Se o presidente da Autoridade Palestiniana quer a paz, então que venha sentar-se e negociar com Israel”.

O primeiro-ministro israelita usou o mesmo tom para responder ao Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que neste domingo se referiu a Israel como um “Estado invasor” e “terrorista”. “Não aceito lições de moral de um líder que bombardeia aldeias curdas no seu país, que prende jornalistas, que apoia o Irão a contornar as sanções internacionais ou ajuda grupos terroristas, incluindo em Gaza, a matar pessoas inocentes”, afirmou Netanyahu.