Irão

Johnson deixa Teerão sem acordo para libertação de cidadã britânica

Foi adiada a audiência em que Zaghari-Ratcliffe deveria ter respondido por novas acusações. Marido diz estar mais optimista
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O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido terminou uma visita a Teerão sem fazer qualquer anúncio sobre a situação de Nazanin Zaghari-Ratcliffe, a britânica de origem iraniana que está há ano e meio detida no país e que arrisca ser condenada a mais anos de prisão na sequência de afirmações erradas feitas pelo próprio Boris Johnson. No entanto, uma audiência em tribunal que chegou a estar prevista para este domingo acabou por ser adiada.

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Depois de uma “conversa franca” no sábado com o homólogo iraniano, Javad Zarif, Johnson encontrou-se neste domingo com o Presidente Hassan Rouhani, tendo discutido de “forma frontal” as formas de resolver “os obstáculos que continuam a existir nas relações entre os dois países”, tanto no que diz respeito à plena aplicação do acordo nuclear iraniano como “sobre os casos consulares dos cidadãos com dupla nacionalidade”, adiantou um porta-voz do MNE britânico.

“Foi uma visita proveitosa e partimos com o sentimento de que ambos os lados querem manter o impulso para resolver os assuntos difíceis nas relações bilaterais e preservar o acordo nuclear”, sublinhou a mesma fonte.

A imprensa iraniana deu sobretudo eco do descontentamento iraniano com as restrições que o Reino Unido continua a manter nas operações bancárias com Teerão – que deveriam ter sido aliviadas na sequência do acordo de 2015 – e no pouco que as relações comerciais entre os dois países progrediram desde então, ao contrário do que tem acontecido com outros países europeus.

Mas as atenções dos britânicos (naquela que é apenas a terceira visita de um chefe da diplomacia de Londres ao Irão em mais de uma década) estavam centradas no caso de Zaghari-Ratcliffe, que foi detida em Teerão, em Abril de 2016, quando se preparava para regressar ao Reino Unido após passar férias com a filha de um ano em casa dos pais. Funcionária da Thomson Reuters Foundation, uma organização sem fins lucrativos, foi acusada de conspirar para derrubar o regime iraniano e condenada a cinco anos de prisão – a filha mantém-se no país, aos cuidados dos pais de Zaghari-Ratcliffe.

Os esforços da família e do Governo para conseguir a sua libertação complicaram-se no mês passado quando Johnson disse, numa intervenção pública, que ela só estava no Irão “para ensinar jornalismo” (uma das actividades a que se dedica a fundação), o que de imediato levou a justiça iraniana a indiciá-la por novos crimes, incluindo difusão de propaganda contra o regime, o que poderia aumentar até dez anos a sua pena. Sob forte pressão, Johnson acabaria por admitir o erro e prometer tudo fazer para conseguir a sua libertação.

Mas no momento em que o avião do chefe da diplomacia britânica descolou de Teerão não havia notícia de qualquer sinal de que o regime iraniano – que não reconhece dupla nacionalidade dos seus cidadãos – esteja disponível para libertar antecipadamente Zaghari-Ratcliffe ou sequer abandonar as novas acusações.

No entanto, numa entrevista posterior à Sky News, Richard Ratcliffe, marido da iraniano-britânica, disse estar "mais optimista" depois de saber que foi adiada a audiência em tribunal que tinha sido marcada para este domingo. “Sem dúvida que a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros foi importante e este adiamento é importante”, afirmou, dizendo estar esperançado que a mulher e a filha regressem ao Reino Unido ainda antes do Natal.