Rio diz que "partidos existem para servir Portugal" e é assim que irá liderar

Candidato à liderança do PSD prometeu que vai pôr em prática esta ideologia "sem loucuras naturalmente, ninguém é ingénuo", mas "com a flexibilidade necessária".

Miguel Manso
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Miguel Manso

O candidato à presidência do PSD Rui Rio advogou nesta quarta-feira que "os partidos existem para servir Portugal" e não os objectivos de alguém, apontando este mote vai ditar a sua liderança, caso seja eleito. "Eu entendo que os partidos políticos existem para servir Portugal, não existem para servir as suas tácticas e os seus objectivos", disse o candidato, falando perante cerca de uma centena de militantes, em Odivelas, Lisboa.

Rui Rio considerou que dito assim "é fácil de colher o apoio e a unanimidade das pessoas, mas depois fazer na prática não colhe o apoio nem a unanimidade". "Se eu ganhar as eleições, eu vou fazer na prática, não é só nas palavras, e há muita gente depois dentro do PSD que se calhar vai dizer que não devíamos fazer porque os outros é que vão usufruir deste nosso apoio. Eu não vou fazer essas contas, eu vou fazer as contas se Portugal usufrui ou não usufrui da nossa acção, é isso que me vai comandar", vincou o candidato.

Rui Rio prometeu que vai pôr em prática esta ideologia "sem loucuras naturalmente, ninguém é ingénuo", mas "com a flexibilidade necessária". "Sempre que me virem dar um passo à retaguarda é porque estou preparado para dar dois à frente", salientou, acrescentando que irá agir "de acordo com os interesses de Portugal".

Assim, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto apontou que "sempre que há uma tarefa pela frente que um partido político tem consciência que sozinho não pode fazer, tem por obrigação dialogar com os outros". "Eu, estar a barrar de antemão o diálogo com os outros numa matéria que sei que sozinho não consigo é estar a boicotar o interesse nacional", admitiu, apontando ser necessário "ter a habilidade suficiente para o fazer", e evidenciar "perante os portugueses que se os outros não vierem, não vêm porque não querem, e a culpa é deles, para que os portugueses os possam penalizar devidamente".

Dando exemplos de reformas estruturantes que carecem de acordos partidários, Rui Rio falou nas na justiça e segurança social, no sistema educativo, na política territorial, ou na política florestal. "Todas essas medidas não são medidas para ser feitas por um Governo, são medidas para ser feitas por um sistema alargado, por um acordo alargado de partidos, e o mais consensual possível na sociedade", defendeu.

Na opinião do candidato à presidência dos sociais-democratas, a solução ideal passaria por um acordo entre todos os partidos com assento parlamentar, mas isso poderá não ser possível devido a "clivagens ideológicas". No entanto, no que concerne ao "CDS, PS ou PSD, não são assim tão grandes as clivagens ideológicas que não permitam acertar muitas coisas essenciais para o futuro do país", considerou. Desta forma, Rio apontou que existem reformas estruturais que, "por falha dos partidos políticos [o país] há muito não faz, ou nunca fez".

Perante militantes sociais-democratas do distrito de Lisboa, Rui Rio aproveitou também para fazer um balanço positivo da campanha para as eleições directas que se realizam a 13 de Janeiro, não só da sua, mas também "da campanha de modo geral". Na opinião do candidato, a campanha está a ser feita "com elevação".

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