Crónica de jogo

Benfica acabou a Champions como começou

“Encarnados” terminaram uma paupérrima prestação nas competições europeias só com derrotas e apenas com um golo marcado.

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LUSA/JOSE SENA GOULAO

Ponto final no calvário do Benfica na Liga dos Campeões. Acabou a aventura europeia dos “encarnados” com o pior dos saldos possíveis, que corresponde simultaneamente à pior prestação de uma equipa portuguesa na Champions: zero vitórias, zero pontos, último lugar do Grupo A. No Estádio da Luz, o campeão nacional não foi capaz de atenuar a figura deprimente que tinha construído nos cinco encontros anteriores e despediu-se com um 0-2 diante de um Basileia que nem precisou de acelerar muito para confirmar a sua superioridade.

Nem tudo foi mau no desaire desta terça-feira, protagonizado por uma equipa com uma mão-cheia de segundas linhas. O Benfica mostrou atributos nas bolas paradas ofensivas, alguma dinâmica no jogo interior (especialmente no arranque da segunda parte) e um avançado (Seferovic) que, mesmo desapoiado, exibiu as qualidades que já se lhe viram no início da época. Terminou o encontro com 22 remates (contra seis do Basileia) e com 61% de posse de bola. Mas tudo isto se esbate quando o resultado final é uma derrota. A sexta consecutiva na competição.

Os suíços não surpreenderam. Recuperaram Xhaka para o meio-campo e dispuseram-se no habitual 3x4x3 que tantas dificuldades criou ao Benfica em Basileia. E voltaram a desequilibrar pelos corredores laterais, com um cruzamento milimétrico de Michael Lang a encontrar Elyounoussi na área, para o 0-1. Foi logo aos 5’ e, à imagem do que sucedeu noutras ocasiões — motivando lamento de Rui Vitória —, os “encarnados” entraram a perder.

O ónus da prova (de qualidade, leia-se) caía por inteiro sobre os ombros de Pizzi e companhia — que terça-feira, no tridente do meio-campo, trabalhou ao lado de Samaris e João Carvalho. Em organização defensiva, o Basileia fechava-se num confortável 5x4x1 e tapava todos os caminhos da baliza, também porque o adversário circulava a bola com a muito pouca velocidade.

Neste contexto, com problemas na criação, o melhor que as “águias” conseguiram foi ir somando lances de bola parada, nomeadamente pontapés de canto. E foi assim que assustaram o guarda-redes Vaclík, pelos pés de Lisandro López e pela cabeça de Jardel e Eliseu. A excepção foi um gesto técnico de qualidade de Seferovic, que, sem linhas de passe, inventou um remate de fora da área que arrancou alguns aplausos das bancadas despidas da Luz.

Era pouco, porém, para as necessidades de uma equipa completamente desacreditada na alta roda da Europa. E a verdade é que, após o intervalo, com o bloco um pouco mais subido e João Carvalho a pegar no jogo de trás para a frente, o Benfica mostrou alguma dinâmica no corredor central e foi conseguindo, através de triangulações e de um futebol mais apoiado, criar algumas dores de cabeça ao trio defensivo suíço, sempre encabeçado pelo imponente Balanta.

Nessa altura, o Basileia tinha dois remates à baliza de Svilar na folha de serviço e bastou-lhe mais uma tentativa para acabar de vez com as dúvidas. Livre indirecto, falha gritante de marcação e Oberlin solto para finalizar, de cabeça, aos 65’. Uma eficácia invulgar dos suíços? Não, erros a mais do Benfica.

Daí em diante, houve mais pressão do “encarnados”, mas nem sempre melhores decisões, até porque entretanto o fosso entre meio-campo e ataque se agravou com as entradas de Jonas e Gabriel Barbosa. Zivkovic ainda tentou, mas também não foi feliz no momento da definição, tal como aconteceria com Svilar num lance em que a confiança em excesso no seu jogo de pés deixou o 0-3 à mercê do Basileia.

Nessa altura, já não era a qualidade do Benfica que estava em causa, eram apenas números. Números que, nesta edição da Champions, escassearam como nunca também nos cofres do clube, que nas seis jornadas da fase de grupos não amealhou um único euro à custa dos resultados.