Patrícia e Emanuel de Sousa criaram um hotel e uma loja a pensar na qualidade dos produtos portugueses

Dois irmãos viajaram tanto que acabaram por abrir o hotel Rosa et al Townhouse, no Porto, com o culto do brunch, e a concept store e plataforma artística Earlymade.

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Patrícia e Emanuel de Sousa deixaram as suas profissões para criar um hotel e uma loja Diana Silva
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Pormenor da loja onde se vendem revistas de referência Luis Ferraz
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Roupa feita ou desenhada em Portugal é a aposta da concept store Luis Ferraz
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Um pormenor da máquina de tricotar Luis Ferraz
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Além de roupa, vende-se também mobiliário vintage Luis Ferraz
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A fachada na Rua do Rosário, no Porto Luis Ferraz
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A loja mantém as suas portas fechadas Luis Ferraz
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O hotel dos irmãos Sousa Fernando Veludo/NFACTOS
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Pormenor de um dos quartos do hotem Fernando Veludo/NFACTOS
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Espaço do hotel Fernando Veludo/NFACTOS
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O hotel inaugurou em 2013 Fernando Veludo/NFACTOS

Patrícia e o irmão Emanuel de Sousa sempre viajaram muito em trabalho. Ele como arquitecto chegou a viver em Roterdão, Los Angeles, Nova Iorque e Londres. A irmã, então economista, “praticamente vivia em hotéis no estrangeiro”. Depois de uma viagem de um mês à Índia, assentaram pés no Porto, abriram um hotel e, há um ano, a concept store e plataforma artística Earlymade que junta três conceitos num só: loja de roupa, atelier têxtil, artes performativas e vídeo. O objectivo é promover os produtos portugueses.

A história de vida dos dois irmãos começou junto ao mar, em Espinho, a alguns quilómetros do Porto, onde nasceram e estudaram. Patrícia, agora com 42 anos, licenciou-se em economia e foi gestora na Sonae e no Grupo Amorim. “Mas em 2010 já não queria continuar a trabalhar naquele ritmo acelerado”. Ainda pediu uma licença sem vencimento para viajar para a Índia, que foi recusada. Despediu-se. Partiu com o irmão.

Patrícia queria investir no Porto e o irmão, agora com 37 anos, alinhou. Ainda estavam de viagem quando receberam a boa notícia de que tinham conseguido o espaço que andavam a cobiçar na Rua do Rosário, na zona de Cedofeita, próxima da famosa Rua Miguel Bombarda, a artéria das galerias de arte, estúdios de artistas e outras concept stores. Seguiram-se meses de obras de reabilitação e transformação do imóvel no que é hoje o hotel Rosa et al Townhouse, que abriria em 2012 e já teve destaque no New York Times

No hotel, os dois irmãos quiseram transmitir as vivências das muitas viagens que fizeram e transmitir tranquilidade aos clientes, numa relação que vai além da "tradicional reserva do cliente" num hotel. “Depois quisemos ter o culto de produzir o que se consome na casa, como os croissants e as geleias, e ter um pequeno-almoço alongado com a introdução do conceito de brunch”, acrescenta Patrícia.

Do convívio com os hóspedes, os dois irmãos foram-se apercebendo que muitos estavam ligados à moda, por exemplo eram produtores de marcas estrangeiras; e que muitas das peças de roupa que compravam no estrangeiro eram confeccionadas em Portugal. “Começámos a fazer contactos com as marcas que nos interessavam e fizemos esta curadoria”, continua Emanuel. Ao todo são 15 marcas que têm algo português: são parte ou integralmente produzidas em Portugal, ou têm matérias-primas ou designers portugueses. A concept store nasceu em Outubro de 2016.

As peças de roupa penduradas nos cabides da loja são de marcas francesas, britânicas, holandesas e suecas. Por aqui há “produtos que não estão habitualmente acessíveis ao público português”, saliente Emanuel. É roupa intemporal, confortável, com detalhes, bom corte e qualidade de materiais, define. Uma camisola pode custar 150 euros. No chão há colecções de sapatos como a do modelo Armando Cabral. Mais ao fundo, em frente ao jardim exterior, o atelier têxtil onde Patrícia faz peças de tricot e malhas. “Sempre gostei de bordar e costurar desde pequena. Mas não foi a carreira que escolhi.” Não foi, mas agora está a desenvolver uma colecção de malhas, já fez workshops e expôs as suas peças.

No espaço há ainda revistas internacionais de referência na moda e no design, que convivem com objectos e mobiliário vintage, alguns deles da autoria de Emanuel. Depois umas escadas conduzem ao andar inferior destinado a residências artísticas nas áreas das artes performativas, vídeo, fotografia, instalações, além de exposição. “Esta área tem muito mais a ver com a minha formação de arquitectura, design e de encenação e também como co-fundador e director artístico da Ponto Teatro, associação cultural." Emanuel já leccionou na Faculdade Arquitectura da Universidade Porto.

Os dois irmãos são ainda autores de uma linha de marroquinaria clássica com porta-moedas, porta-cartões, etc. E têm as cabeças a fervilhar de projectos. Muitos mais virão, prometem.

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