Marcelo sobre Centeno: “Tudo o que é bom tem um preço”

Portugal vai ter que “continuar a ter muito juízo na linha definida e não ter aventuras”, diz o Presidente. Mas elogia o ministro das Finanças, que de “patinho muito feio” há dois anos passou a ser um “cisne resplandecente”.

JOãO RELVAS
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JOãO RELVAS

Elogios e avisos. Perante a iminência da eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, Marcelo Rebelo de Sousa avisa que, sendo “bom para Portugal”, tudo o que é bom tem um preço e esse preço vai ser a exigência acrescida da União Europeia ao caminho financeira.

“Tudo tem um preço na vida, não se brinca em serviço. O Orçamento para 2019 e a execução para 2018 têm de corresponder à exigência de alguém que dá o exemplo no Eurogrupo. Há que continuar a ter muito juízo na linha definida e não ter aventuras”, afirmou o Presidente da República aos jornalistas à saída do Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (CASA) da Almirante Reis (Lisboa).

Marcelo até começou com os elogios, quando afirmou que a eleição de Centeno “representa o reconhecimento do percurso que Portugal fez, é bom para o Governo, porque representa o reconhecimento daquilo que fez nos últimos dois anos, é bom para o ministro das Finanças, é o reconhecimento dos seus parceiros na UE sobre as políticas que dirigiu a nível financeiro”. Sublinhou mesmo que Centeno era “o patinho feio, para muitos muito feio, há dois anos”, e agora é “o cisne resplandecente”.

Dito isto, o chefe de Estado sublinha que a eleição representa “uma exigência acrescida em termos do caminho seguido em termos financeiros”, porque “todos vão estar a olhar para Portugal” e o presidente do Eurogrupo “tem de dar o exemplo”. “A vida é assim, tudo o que é bom tem um preço, o presidente do Eurogrupo tem ao mesmo tempo que ser ministro das Finanças e nunca se esquecer que é ministro das Finanças de Portugal”, reforçou.

Será mais difícil na hora de negociar à esquerda? “A realidade tem muita força”, diz Marcelo, para deixar avisos mais concretos: “Vai haver  muitas vezes a tentação, sobretudo em ano pré-eleitoral, mas todos os partidos sabem que há limites para isso”.

Sendo eleito, Mário Centeno entrará em funções a 13 de Janeiro, o mesmo dia em que será eleito o novo líder do PSD. Questionado sobre se a presidência do Eurogrupo pode aproximar o PS do PSD, o Presidente considera que, “para um partido que quer ser Governo, é natural que queira que corra tudo bem para o país. Quando chegar ao Governo é melhor ter um prestígio grande decorrente de ter um presidente do Eurogrupo do que não ter”. Ou seja, resume: “Ganha o Governo mas também ganha a oposição”.

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