Costa diz que pode estar “momentaneamente cansado”, mas tem “ganas” de continuar

Primeiro-ministro celebra OE de “palavra dada e honrada” que é “para todos”.

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Primeiro-ministro discursou e assumiu cansaço LUSA/MANUEL DE ALMEIDA
António Costa chegou em silêncio ao jantar do PS
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António Costa chegou em silêncio ao jantar do PS LUSA/MANUEL DE ALMEIDA
Primeiro-ministro discursou e assumiu cansaço
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Primeiro-ministro discursou e assumiu cansaço LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

A frase sobre a palavra dada e honrada foi-lhe atirada esta segunda-feira pela deputada do BE, por causa da mudança de posição do PS na aprovação da contribuição para as renováveis. Poucas horas mais tarde, António Costa fez questão de a utilizar por várias vezes no discurso que fez em Lisboa, na comemoração dos dois anos de Governo, sem nunca se referir a essa proposta, nem à entrada nas perguntas dos jornalistas, nem no discurso.

Numa sala cheia, com 1500 militantes do partido, o PS celebrou os dois anos do executivo. Mas ainda com aprovação do OE na cabeça, Costa fez questão de começar por aí, dizendo que não há melhor prenda do que aprovar o OE “do Governo PS e desta maioria”.

“Como temos dito, palavra dada será sempre palavra honrada”, defendeu. No discurso, Costa caracterizou o documento como um OE que se dirige à melhoria de vida dos portugueses. “Não é um Orçamento só para alguns. É um Orçamento para todos, vivam onde viverem, tenham que idade tiverem, seja qual for a sua profissão”.

E aqui voltou à “palavra dada e honrada”, lembrando que foi neste Orçamento que o Governo cumpriu com o que tinha sido prometido aos “funcionários públicos” que “têm direito à carreira devolvida”, não se percebendo, no entanto, se dali resulta a intenção de contar com todo o tempo de serviço durante os anos em que as carreiras estiveram congeladas. Na plateia, a ouvi-lo, António Costa tinha não só o recuperado ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, como a secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, que tem conduzido as negociações.

Na segunda parte do discurso aos socialistas, o primeiro-ministro defendeu que apesar das pressões de vários lados, o PS vai manter “a linha da responsabilidade”. “Alguns gostariam que fôssemos mais longe do que o necessário e tivéssemos défice 0%. Outros que não nos apoquentássemos com o défice nem com a despesa pública”, disse. Contudo, esta é a melhor forma de garantir a “não reversibilidade de todas as políticas que alcançámos ao longo destes dois anos”.

Aos socialistas, Costa deu a garantia de que tem “ambição de ir além do programa”, porque este não está esgotado e de que mantém a vontade de continuar: “Posso estar momentaneamente cansado, mas isso não diminui em nada as minhas ganas, a minha vontade”, disse.