Primo de Sócrates notificado da acusação da Operação Marquês

Pinto de Sousa é acusado de lavar dinheiro do antigo primeiro-ministro. Processo resultante da Operação Marquês entra em nova fase.

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LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O primo de José Sócrates, José Paulo Pinto de Sousa, foi esta sexta-feira notificado da acusação que lhe foi imputada no âmbito da Operação Marquês. A notícia foi avançada pela SIC, que diz que o arguido foi notificado em Portugal, apesar de ter dado às autoridades uma morada em Luanda e ter optado pela nacionalidade brasileira.

O primo de José Sócrates não foi detido: aguardará o seu julgamento e o dos restantes suspeitos em liberdade, mas com termo de identidade e residência, o que quer dizer que tem de avisar a justiça se quiser ausentar-se do país. Para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que o acusa de branqueamento de capitais, José Paulo Pinto de Sousa era a pessoa a quem o antigo primeiro-ministro recorria inicialmente para ocultar o dinheiro que lhe era pago pelo grupo BES e pelo grupo Lena. Mais tarde, segundo esta tese, José Sócrates trocou o primo por Carlos Santos Silva nessa posição, por entender que o familiar ficara demasiado exposto no processo Freeport.

Tendo o Ministério Público notificado o último arguido do caso, o processo segue agora o seu curso, entrando numa nova fase. Os advogados têm 50 dias para contestarem uma acusação que demorou quatro anos a construir, prazo que consideram demasiado reduzido. Um deles, João Medeiros, pediu uma interrupção excepcional da contagem deste prazo legal durante um ano, para que os defensores dos arguidos possam conhecer o processo na sua totalidade. Mas o Tribunal Central de Investigação Criminal, onde está o juiz Carlos Alexandre, respondeu-lhe que iria esperar pela notificação do último arguido para se pronunciar sobre o pedido.