PSD e o voto contra: "Não há uma medida nossa com mérito?"

Líder parlamentar critica esquerda por não aprovar uma única proposta do PSD.

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Daniel Rocha

O líder parlamentar do PSD fez questão de anunciar algo que o próprio classificou como uma "não novidade", que é o voto contra da sua bancada ao Orçamento do Estado para 2018, mas Hugo Soares queria aproveitar para se queixar da atitude da maioria de esquerda quer ainda não aprovou nenhuma das 62 propostas sociais-democratas. "Algo inédito", assinalou.

"Alguém acredita que nas 62 propostas [do PSD] não houvesse uma, umazinha só, que pudesse ter mérito para ser aprovada?", questionou Hugo Soares perante os jornalistas. "Isto mostra a forma autocrática e de rolo compressor da maioria", queixou-se o social-democrata usando as mesmas expressões do deputado Carlos Abreu Amorim poucos minutos antes no plenário.

Hugo Soares insistiu que a proposta de OE2018 tem a "oposição frontal" do PSD porque "não corresponde aos anseios dos portugueses, não traz futuro para o país porque não aposta em reformas estruturais, é injusto do ponto de vista social e errático do ponto de vista dos opções políticas". Além disso, na especialidade, o orçamento "vai piorando dia após dia". E ironizou dizendo que uma proposta que "era boa" acabou por ter mais de 600 propostas de alteração, e precisa de "negociações permanentes que visam garantir a manutenção do Governo no poder".

O dirigente social-democrata diz mesmo que nem que todas as propostas de alteração do PSD fossem aprovadas o partido votaria a favor do orçamento. Porque o PS "não precisa do PSD para governar". Hugo Soares haveria de considerar que a aprovação da alteração ao regime do subsídio de férias e de Natal do sector privado, que retira a possibilidade de o trabalhador escolher se quer receber em duodécimos ou por inteiro, é o exemplo do "ataque à liberdade de escolha" dos portugueses.