SPD aceita negociar com Merkel mas decisão final caberá aos militantes

Presidente alemão reúne-se quinta-feira com sociais-democratas e conservadores. Grande coligação ou apoio a governo minoritário continuam em cima da mesa.

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SPD e CDU governam em coligação desde 2013 Reuters/AXEL SCHMIDT
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Schulz diz que recuou na decisão inicial a bem da estabilidade da Alemanha e da Europa STEFANIE LOOS/EPA

Os sociais-democratas alemães confirmam que estão disponíveis para negociar com a chanceler Angela Merkel a formação de um novo governo, evitando com isso a realização de novas legislativas. Mas Martin Schulz, o líder do partido, prometeu que qualquer acordo que venha a ser firmado – seja o apoio a um executivo minoritário ou a reedição da “grande coligação” – será votado pelos militantes.

“O SPD não dirá não às negociações”, anunciou nesta sexta-feira o secretário-geral Hubertus Heil, depois de uma reunião da cúpula do partido em Berlim, que se prolongou pela noite dentro, e em que foram debatidas várias alternativas em cima da mesa. Heil não revelou qual a opção que reuniu mais apoios, mas garantiu que as discussões foram construtivas e a liderança do SPD está “próxima de um consenso” sobre aquilo que está disposta a aceitar e quais as condições que exigirá à líder dos democratas-cristãos (CDU).

Qualquer dos cenários apresenta riscos para o SPD, que depois de ter sofrido nas legislativas de Setembro o pior resultado da sua história, esperava reorganizar-se na oposição ao governo que Merkel pretendia formar com os liberais (FDP) e Verdes. Mas o fracasso das negociações para a coligação Jamaica e as reticências do Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, em convocar novas eleições deixaram o partido sob pressão.

No SPD várias vozes sugerem que a única solução estável passa pela continuação da grande coligação entre os conservadores (CDU e o partido-irmão da Baviera, a CSU) e o SPD. Mas a opção desagrada à ala mais à esquerda e a grande parte das bases, receosas de que os sociais-democratas sejam cada vez mais vistos como uma bengala de Merkel, transformando a Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita), o terceiro partido mais votado nas legislativas, na principal força da oposição.

A notícia de que Steinmeier vai acolher na próxima quinta-feira uma reunião entre Merkel, o líder da CSU, Horst Seehofer, e Schulz deu força a essa hipótese. Mas o líder dos sociais-democratas, que garante ter recuado na decisão inicial a bem da estabilidade da Alemanha e da União Europeia, assegura que a palavra final caberá aos militantes. “Não há nada automático em relação à direcção que iremos seguir”, afirmou em conferência de imprensa. “Se a discussão resultar numa decisão de participarmos, seja de que forma for, na formação de um governo iremos submetê-la a um voto dos militantes”.

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