Mudança do Infarmed: "Espanta-me como as elites são tão provincianamente agressivas"

Eduardo Vítor Rodrigues, líder do Conselho Metropolitano do Porto e da autarquia de Gaia, entende que tem de haver "um pacote muito mais alargado de serviços e de competências".

O autarca de Vila Nova de Gaia critica as elites e não os trabalhadores do Infarmed
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O autarca de Vila Nova de Gaia critica as elites e não os trabalhadores do Infarmed Martin Henrik

O presidente do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), Eduardo Vítor Rodrigues disse nesta quinta-feira ver com "estupefacção" a "polémica" em torno da transição de Lisboa para o Porto do Infarmed, anunciada na terça-feira pelo Governo.

Em declarações à margem da apresentação das Grandes Opções do Plano para 2018 da Câmara de Vila Nova de Gaia, a que preside, o autarca afirmou ver com "estupefacção a polémica em torno do anúncio", criticando as elites e não os trabalhadores da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

"Em primeiro lugar, julgo que o anúncio foi positivo, embora avulso. O esforço de descentralização é algo em que todos temos de participar e o que é extraordinário é que tantas vezes se fala da descentralização como uma opção política e cada vez mais me convenço de que a opção, podendo ser política, a sua materialização é muito mais do que política", afirmou.

E prosseguiu: "Há culturalmente, historicamente eu diria até, incrustado nas representações sociais dos cidadãos, um sentimento centralista que se repercute nas reacções completamente extemporâneas e desajustadas que vi de muitas elites lisboetas, e nem falo sequer dos trabalhadores, pois percebo que isso possa ter alterações significativas nas suas vidas."

Mantendo o tom crítico, Eduardo Vítor Rodrigues disse que o que "espanta é como é que as elites são tão agressivas, até provincianamente agressivas, na defesa do centralismo projectado nestas coisas", considerando a sugestão de que só há descentralização em coisas novas que venham a surgir redundaria numa "descentralização nenhuma".

Assumindo dúvidas na concretização da transição anunciada pelo Governo em face da polémica vigente, o líder do CmP disse, contudo, acreditar que para viabilizar uma deslocalização do Infarmed, algo que disse "faria muito sentido", tem de haver "um pacote muito mais alargado de serviços e de competências".

Nesse âmbito, antecipou a apresentação pelo Governo, no próximo congresso da Associação Nacional de Municípios, do "primeiro documento semifinal de estratégia sobre a descentralização para os municípios". Lembrando tratar-se de "um processo lento", entende que não pode ser feito por decreto porque, criticou, "está visto que tão provinciano é quem combate a centralização como aqueles que a defendem".

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