Portugueses são os que mais valorizam os trabalhos de grupo

Mas na hora de avaliar resolução de problemas em equipa, ficam dentro da média. É o que diz um estudo da OCDE.

Os portugueses são também os que mais gostam de assistir ao sucesso dos colegas
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Os portugueses são também os que mais gostam de assistir ao sucesso dos colegas Nuno Ferreira Santos

Os alunos portugueses são os que mais valorizam os trabalhos em grupo. Mas a sua capacidade para resolver problemas em conjunto coloca Portugal a meio de uma tabela de 52 países, revela um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Ao comparar cerca de 125 mil alunos de 15 anos de 52 países, os portugueses surgem em 24.º lugar no que toca à capacidade de conseguir resolver problemas em equipa, mostra o estudo PISA (Programme for International Student Assessment), que se iniciou em 2000 e que é feito de três em três anos.

Os dados globais da última edição do PISA foram divulgados em Dezembro. Pela primeira vez os portugueses conseguiram então ficar à frente da média da OCDE nos testes de literacia em ciências, leitura e matemática. Agora, a OCDE apresenta uma análise mais detalhada sobre um ponto específico do que foi avaliado quando os alunos fizeram os testes PISA em 2015: a "resolução colaborativa de problemas".

Com uma pontuação de 498 pontos, Portugal integra um grupo de oito países cujos resultados não diferem significativamente da média da OCDE, sublinha um comunicado do Ministério da Educação a propósito destes resultados. "Embora, no caso de Portugal, os alunos revelem dos índices mais elevados no que respeita a valorização das relações entre colegas e do trabalho de equipa, os seus desempenhos na resolução colaborativa de problemas são inferiores aos registados em leitura, matemática e ciências", cujos testes que foram feitos individualmente.

O estudo do PISA revela aliás que os portugueses são os que mais valorizam as relações interpessoais, dizendo que preferem trabalhar em equipa a trabalhar sozinhos, além de se considerarem bons ouvintes e dizerem que têm em conta o interesse dos colegas.

Os portugueses são também os que mais gostam de assistir ao sucesso dos colegas, os que mais têm em conta o que interessa aos outros e os que acham que as equipas tomam melhores decisões do que as pessoas individualmente.

Estas atitudes, lê-se no estudo, "podem ter sido moldadas por factores culturais que existem para além dos muros das escolas e os decisores políticos devem ter em conta que não foram escritas na pedra".

Em comunicado, o gabinete do Ministério da Educação defende que "os resultados do estudo sustentam de forma clara a continuidade e alargamento de medidas estruturais", sublinhando também "o relevo especial que a intervenção dos pais e da comunidade alargada assume neste âmbito".

A nível internacional, o estudo revela que as raparigas são muito melhores a resolver problemas em equipa do que os rapazes: em média as raparigas são 1.6 vezes melhores do que os rapazes.

Outra das conclusões do relatório é a de que os estudantes com mais ferramentas de leitura e matemática tendem a ser melhores a resolver problemas em equipa: os alunos de Singapura, Japão e Hong Kong voltam a estar no topo da lista. Além dos estudantes asiáticos, destacam-se os alunos europeus da Estónia e Finlândia assim como os do Canadá (na América).