A agressão de jovens por seguranças à saída das discotecas também chega a Cinfães

O caso remonta a Julho de 2016, na discoteca Douro Félix, em Cinfães. As imagens de video-vigilância só agora foram conhecidas e o caso já está em tribunal. A GNR de Viseu aponta que este não é o único caso de violência naquele espaço.

Proprietários da discoteca dizem que estas situações "não são frequentes"
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Proprietários da discoteca dizem que estas situações "não são frequentes" Paulo Pimenta

Este é um caso que aconteceu antes da divulgação dos episódios de violência do Urban, mas que só agora é conhecido. Na noite de 3 de Julho de 2016, “vários jovens” foram “brutalmente agredidos pelos seguranças da Douro Fénix”, uma discoteca em Cinfães, distrito de Viseu, adianta uma notícia da TVI24. As imagens divulgadas pelo programa SOS24 daquele canal mostram diferentes momentos de agressões, que envolvem “murros, pontapés e até jovens a serem arrastados para valetas”. O assunto já está na justiça.

Primeiro, um jovem é colocado fora do estabelecimento, para depois ser esmurrado e “atirado contra uma parede”; depois, e quando tenta voltar a entrar na Douro Fénix, é levado “para fora do raio de vigilância”. Segundo o que o canal afiança, o jovem foi atirado para uma valeta da estrada e lá permaneceu até ser assistido pelos meios de emergência médica. Outros dois jovens são retirados do espaço pelos seguranças e “levam vários murros”. No vídeo divulgado pela TVI, percebe-se que um deles cai inanimado, ao passo que outro é esmurrado e depois, já no chão, pontapeado na cabeça. O jovem que cai inconsciente é arrastado para fora da discoteca. As últimas imagens de agressão daquela noite mostram um quarto e último jovem que estará a discutir com um segurança. Momentos depois, outro aproxima-se e agarra-o pelo pescoço, por trás, levando-o para o exterior da discoteca, atirando-o depois para o chão.  Ao PÚBLICO, a GNR de Viseu afirma não ter sido chamada ao local no dia das agressões.

Segundo um dos proprietários da discoteca, que não se quis identificar, este caso já está em tribunal. A mesma fonte afirma não ter estado no local à data das agressões, mas diz saber que “os jovens foram mal-educados para com os seguranças”, afirmando que aquele foi um “acto isolado” e que, desde aquela altura, não houve “acontecimentos semelhantes na discoteca”.

No entanto, a GNR de Viseu confirma ao PÚBLICO que este não é o único caso de violência naquele espaço de diversão nocturna. “Em nenhuma ocasião fomos chamados ao local, mas foram-nos apresentadas duas queixas relativas a episódios de violência nessa discoteca”, explica António Dias, Tentente Coronel da força policial daquela cidade. Segundo o mesmo, o caso de Julho foi o primeiro a ser apresentado, “no qual foi constituído arguido um segurança”. Mais tarde, em Fevereiro de 2017, outra ocorrência foi registada, da qual resultaram seis arguidos – clientes, seguranças e até os proprietários da Douro Fénix. A mesma fonte adianta que, desde a inauguração da discoteca, em Janeiro de 2016, a guarda fez “três fiscalizações ao espaço para verificar os dispositivos de segurança”, que, acrescenta, “estavam conforme o que é pedido”.

Duas das mães dos jovens agredidos em Julho de 2016 prestaram declarações à TVI, e ambas dizem que as agressões daquela noite foram injustificadas, apontando que os “seguranças são violentos”. Uma das mães (ambas não-identificadas) aponta ainda que, naquele espaço, “todos os sábados entram menores de idades”. A GNR de Viseu diz não saber da entrada de menores de 18 anos no espaço. 

Texto editado por Ana Fernandes