Premika, é meio-robô e meio-humana, e quer ajudar as crianças a ser mais confiantes

Instituto de Apoio à Criança lança colecção de livros e promove acções nas escolas sobre os riscos da Internet.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Foi com mais frequência que começaram a chegar à linha SOS Criança (217 931 617, ou pelo número gratuito 116 111) chamadas sobre bullying e de cyberbullying na escola. Foi a partir destes "pedidos de ajuda e de denúncias" que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) começou a pensar em "instrumentos que pudessem, de forma lúdica e pedagógica, ajudar os miúdos a pensar sobre estas coisas", explica Cláudia Manata, professora a trabalhar na associação responsável por esta linha. Foi assim que a docente se associou à autora Raquel Palermo e à investigadora Teresa Sofia Castro e, juntas, criaram o projecto "Alerta Premika! Risco online detectado". O primeiro livro é apresentado neste sábado, às 16h, na livraria Barata, em Lisboa.

PÚBLICO -
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Premika, um ser que é meio-robô e meio-humano, nasceu da vontade das autoras de ajudar os mais novos, os do 1.º e 2.º ciclo, a lidar com os desafios da Internet. A personagem, desenhada pela ilustradora Joana M. Gomes, que só os mais pequenos vêem e que muda de cor conforme o estado de espírito da criança, surge com o propósito de os ajudar, sem nunca falar, mas conseguindo fazer-se compreender. A sua missão é que as crianças saibam lidar com sentimentos como a solidão, o medo, a tristeza ou a frustração. "A ideia é que percebam que há riscos na Internet e como podem evitá-los", sublinha Cláudia Manata. 

Este é o primeiro livro de uma colecção. O segundo já está a ser ultimado. E a intenção é que sejam trabalhados nas escolas ou em casa, por exemplo, numa leitura partilhada entre pais e filhos, antes de deitar. Raquel Palermo explica ao PÚBLICO como funcionam os livros: o leitor, ao longo da história, vai deparando-se com várias escolhas, decide a que quer seguir (o que significa que tem de ir até à página indicada para continuar a ler) e, cada uma dessas opções levam a fins diferentes. O objectivo é que as crianças reflictam sobre os caminhos que podem seguir. Quanto aos pais, o livro tem como propósito alertá-los para a necessidade de acompanharem os filhos – no final há um capítulo com dicas para navegar com segurança na Internet; e um glossário.

"Não faz sentido estar a discutir se o telemóvel deve ou não entrar na sala de aula. Temos é de ajudar e preparar [os mais novos] para saberem usá-lo da melhor maneira, para não serem enganados porque senão não vão saber exercer bem a sua cidadania", declara Raquel Palermo, co-autora da colecção Caderno de Memórias de Difícil Acesso, sobre as aventuras e desventuras do adolescente Santiago Castelo, onde o bullying também marca presença   

Antes da escrita dos livros, Teresa Sofia Castro fez um estudo qualitativo com entrevistas e observação a 22 famílias, que tivessem filhos entre os 3 e os 8 anos, onde observou como eram usadas as novas tecnologias na família. "Fui recebendo pistas interessantes", diz a investigadora da Universidade do Minho. É a partir dessas que as histórias nascem. "Muitos dos diálogos são reais, mas adaptados e estes dão-nos consciência de como eles lidam com estas coisas", continua Cláudia Manata, acrescentando que se pretende transmitir que "a Internet é boa, mas que é preciso saber usá-la em segurança".

Além dos livros, as autoras criaram uma boneca, a Premika, que irá às escolas; um jogo de tapete em que os alunos são os peões e têm de fazer escolas; e existe ainda o blogue Alerta Premika onde as escolas, pais e alunos podem ir para colocar dúvidas ou saber mais coisas sobre redes sociais e não só.

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