Dois anos depois, regressa-se à reabilitação do Farol-Capela de S. Miguel-O-Anjo

Empreitada está orçada em 180 mil euros e vai ser assumida pela DRCN, com mecenato da APDL, e pela Associação Comercial do Porto.

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O farol é o mais antigo do continente, mas está fechado e muito degradado Paulo Pimenta

Já passaram mais de dois anos desde que a Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) anunciou que pretendia reabilitar o Farol/Ermida de São Miguel-o-Anjo, no Porto, mas a estrutura com mais de 500 anos ainda aguarda pela intervenção, que deverá avançar apenas agora. O novo protocolo de cooperação, entre a DRCN, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo e a Associação Comercial do Porto deverá ser anunciado na sexta-feira da próxima semana.

Quando, em 2015, foi assinado um protocolo entre a DRCN e a Marinha Portuguesa, para “a conservação/restauro do edifício do farol e a sua valorização, incluindo-se nesta a abertura ao público e a criação de um núcleo expositivo que enquadre historicamente o sítio e o monumento”, assumia-se que ainda não havia prazos para a intervenção nem um projecto fechado para o espaço. O projecto existente já tinha alguns anos e deveria ser reavaliado, pelo que nem sequer os custos previstos da obra eram avançados.

Agora, a DRCN anuncia a assinatura de um novo protocolo, com os mesmos fins, mas com dados mais concretos. A intervenção, diz-se no comunicado daquele organismo, está orçada em 180 mil euros e deverá ser suportada, em partes iguais, pela DRCN, com mecenato da APDL, e a Associação Comercial do Porto.

A empreitada junta-se à requalificação da Estação Salva-Vidas da Cantareira, local onde serão consagrados 71 metros quadrados ao Núcleo Interpretativo do Farol/Ermida de São Miguel-o-Anjo. A DRCN precisa que a área que irá utilizar continuará no domínio público militar. O comunicado não refere prazos para o início e fim dos trabalhos.

O farol, marca emblemática da Cantareira e o mais antigo do país, foi construído em 1528, cumprindo-se assim uma ordem dada no ano anterior pelo bispo de Viseu, D. Miguel da Silva. Desactivado no século XVII, o espaço continuou a funcionar como capela, acabando por sofrer algumas alterações que, já no século XIX, culminaram com a construção de dois novos edifícios, agregados ao primeiro – o dos Pilotos da Barra do Douro e a Torre Semafórica ou Telégrafo. A construção do molhe, no final daquele século, afundaram os rochedos onde o farol estava assente e a plataforma da nova estrutura recebeu o marégrafo e o anemómetro, que permitiam medir, respectivamente, a altura das marés e a velocidade dos ventos.

Apesar de estar classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1951, o farol está fechado, conforme refere a própria DRCN, “em muito mau estado de conservação, devido à salinidade do ar, ao desgaste natural de quase 500 anos de vida, às mutilações provocadas pelo encosto dos outros edifícios e por usos espúrios”.