Opinião

Cartas ao director

Inteligência Artificial: um perigo ou uma dádiva?

Num momento em que a Inteligência Artificial é uma realidade cada vez mais presente no quotidiano de um mundo em constante evolução, é necessário dar início a um debate: será esta uma ameaça à Inteligência Humana? Ou em vez de uma ameaça, uma competição aberta entre o ser humano e uma das suas criações? Poderá ser uma evolução que não devemos questionar ou impedir?

A verdade é que esta é uma discussão que tem vindo a fazer parte das tendências actuais, mas claramente tomou proporções gigantes com a Web Summit e a participação de duas criações robóticas no quadro de oradores do evento.

Pode comprovar-se isto pelo mediatismo da robot Sophia, a primeira robot a quem foi concedida cidadania e que tem estado nas bocas do mundo por ter “mais direitos que as cidadãs da Arábia Saudita”. Esta é uma ideia importante a debater também: devemos conceder direitos que são do ser humano, do cidadão, a criações robóticas? Será isso um passo para deixarmos que estes nos substituam em lugares que sempre tivemos como nossos até agora, como o nosso emprego ou a nossa casa?

Aquilo que mais me assusta é podermos vir a observar como realidade aquilo que sempre foi considerado uma utopia. Quem não se lembra de assistir a filmes com realidades virtuais altamente avançadas e pensar que aquele tipo de evolução levaria centenas de anos, que era até uma realidade longínqua que a nossa geração não estaria cá para observar?

Mas está. E nós temos de começar a pensar numa forma de lidar com isso, já que vai cada vez mais fazer parte da nossa realidade como seres humanos que vivem num mundo altamente avançado tecnologicamente.

Daniela Abreu, Rio de Mouro

 

Catalunha e Olivença

Tem sido polémica a comparação entre a Catalunha e Olivença, mas no entanto é evidente que as duas questões estão relacionadas, pois basta constatar o enorme aumento de artigos na comunicação social sobre Olivença desde a eclosão da crise independentista na Catalunha e a explicação é fácil: quando Espanha reclama respeito pelos tratados internacionais e pela sua integridade territorial, para evitar a secessão da Catalunha, Portugal pode logo também reclamar respeito pelo tratado de Viena de 1815 assinado por Espanha e pela sua integralidade territorial, para reivindicar Olivença.

Quanto à ideia, no mínimo ingénua, que Espanha realize um referendo em Olivença, é evidente pelos exemplos actuais da Catalunha e também de Gibraltar, que Espanha não gosta e recusa por todos os meios auscultar as populações sobre o seu destino; um eventual referendo em Olivença só poderia eventualmente ser efectuado  por uma instância internacional, como por exemplo a ONU e para isso seria necessário que Portugal reclamasse frontalmente, explicitamente e publicamente a Espanha a entrega de Olivença e internacionalizasse o problema.

Que haja coragem!

Fernando A.Castanhinha, Santo António dos Cavaleiros