Sessions quer criar um conselho especial para investigar a Fundação Clinton

O pedido do procurador-geral ao Departamento de Justiça segue-se às críticas de Trump sobre a forma como está a ser conduzida a investigação às suspeitas de ligação da sua campanha a Moscovo.

Jeff Sessions é procurador-geral desde Fevereiro
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Jeff Sessions é procurador-geral desde Fevereiro Reuters/AARON P. BERNSTEIN

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, pediu ao Departamento de Justiça para ponderar a nomeação de um conselho especial para investigar a Fundação Clinton, o antigo director do FBI, James Comey, e a venda de uma empresa de urânio à Rússia durante a Administração Obama.

A lista de alvos vem descriminada numa carta dirigida a Robert Goodlatt, congressista republicano e chefe da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, citada pelo Washington Post e pelo New York Times.

Na carta, Stephen Boyd, assistente do procurador-geral dos EUA, explica que vai ser sugerido ao procurador-geral “se os processos que não estão actualmente a ser investigados devem ser abertos”, se quaisquer temas actualmente sob escrutínio judicial devem ter os seus recursos reforçados ou ainda se existem alguns que merecem atenção.

No último mês, o presidente da Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, Devin Nunes, anunciou a abertura de uma investigação à venda de uma mina canadiana de urânio à Rosatom, Agência de Energia Atómica russa, em 2010, quando Obama era Presidente e Hillary Clinton secretária de Estado. Alguns dos investidores na empresa eram próximos do ex-Presidente Bill Clinton e terão feito donativos à sua Fundação Clinton no valor de 154 milhões de dólares.

O documento surge um dia antes de Jeff Sessions ser ouvido perante um painel judicial. Os democratas já alertaram que irão pressionar o procurador-geral a falar sobre o seu conhecimento acerca das alegadas ligações da campanha de Trump a Moscovo, diz a Associated Press. Trump e a sua campanha presidencial são alvo de uma investigação por parte do ex-director do FBI e actual procurador especial, Robert Mueller, sob a supervisão do Departamento de Justiça.

Do lado dos democratas chegam críticas e acusações de tentativa de desvio de atenções à investigação que decorre sobre as alegadas ligações entre o actual Presidente norte-americano e a Rússia, escreve a Reuters.

O pedido dirigido ao Departamento de Justiça chega também depois de Trump ter repetidamente criticado o rumo da investigação, tendo mesmo lamentado não poder dar ordens sobre a actuação deste braço da sua Administração. O líder da Casa Branca afirmou que os investigadores deveriam estar "a tratar dos democratas” e que era “muito desencorajador” que não estivessem atrás de Hillary Clinton. "Muitas pessoas estão desapontadas com o Departamento de Justiça, incluindo eu", sublinhou o Presidente norte-americano, antes de partir para o seu périplo asiático de 12 dias.

A criação de um conselho especial pode ser aprovada quando o Departamento de Justiça ou um procurador-geral sente que existe conflito de interesses, ou quando decorrerem "circunstâncias extraordinárias ou de interesse público", detalha o Washington Post.