Mais de 500 mortos e 12 mil casas destruídas no sismo em Kermanshah

Milhares de pessoas passaram a segunda noite consecutiva ao relento. Residentes e autoridades locais queixam-se da resposta lenta do Governo.

Ao todo, mais de 30 mil casas sofreram danos avultados
Foto
Ao todo, mais de 30 mil casas sofreram danos avultados ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Subiu para 530 o número oficial de mortos do sismo de domingo à noite no Irão, o mais mortífero registado no país em mais de uma década. Menos de 48 horas depois do abalo, as autoridades deram por terminadas as operações de resgate, dizendo que são remotas as hipóteses de encontrar sobreviventes debaixo dos escombros.

Mais de oito mil pessoas ficaram também feridas e há ainda um número indeterminado de desaparecidos. Mas depois de horas de buscas desesperadas, Pir-Hossein Kolivand, chefe dos Serviços de Emergência Médica do Irão, anunciou na manhã desta terça-feira que as operações de busca e salvamento terminaram. A prioridade, explicou, passou agora a ser a assistência aos sobreviventes.  

Dezenas de milhares de pessoas tiveram que suportar pela segunda noite consecutiva temperaturas muito baixas, por terem perdido as suas casas – segundo o Crescente Vermelho iraniano, os últimos dados oficiais apontam 12 mil edifícios destruídos – ou simplesmente por receio de novos abalos, numa altura em que as réplicas se sucedem ao ritmo de três por hora.

“A população de algumas aldeias precisa desesperadamente de comida, água e abrigo”, disse à Reuters o governador de Qasr-e Shirin, um dos distritos mais afectados da província de Kermanshah, situada no Noroeste do Irão, junto à fronteira iraquiana.

O presidente da Câmara de Ezgeleh, na mesma província, contou à televisão que 80% dos edifícios da cidade ruíram e precisa com urgência de tendas para abrigar os idosos e as crianças mais pequenas que ficaram desalojadas. Lamentando a resposta lenta das autoridades centrais, Nazar Barani pediu aos iranianos para enviarem donativos para a região, incluindo combustível, leite, água e comida.

“Estamos a viver numa tenda, não temos comida nem água suficiente”, contou ao serviço persa da BBC Ali Gulani, um residente na cidade. “Podemos ouvir as crianças a chorar, está muito frio e elas têm de se agarrar aos pais para se aquecerem – é muito mau.”

O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, visitou na manhã desta terça-feira a cidade de Sarpol-e Zahab, uma das mais afectadas pelo sismo de magnitude 7,3 na escala de Richter, e prometeu que o Governo “usará todo o seu poder para resolver os problemas no mais curto espaço de tempo”. Rouhani lamentou ainda que as habitações sociais construídas ao abrigo de um programa social criado pelo anterior Presidente Mahmoud Ahmadinejad tenham caído devido ao sismo, enquanto muitos edifícios privados na cidade resistiram. “Quem é o responsável por isto? Os nossos engenheiros?”, questionou-se, prometendo responsabilizar quem não respeitou as normas de construção.