Aveiro procura soluções para animais abandonados

Na sequência de recentes ataques de cães, na freguesia de São Bernardo, PAN e BE vieram reclamar acções urgentes. Líder da autarquia garante que estão a ser tomadas medidas.

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Joana Bourgard

O PAN e o BE reclamam respostas urgentes, por parte da câmara de Aveiro, para os animais errantes, reforçando a urgência da construção de um canil municipal. As posições públicas destes dois partidos surgiram depois de ser conhecido o caso de quatro cães abandonados que deixaram vários habitantes da freguesia de São Bernardo em alerta — mataram algumas ovelhas e patos e feriram ligeiramente uma senhora. O presidente da autarquia aveirense, Ribau Esteves, garante que estão a ser tomadas medidas, falando em várias iniciativas e apostas que irão integrar o plano de actividades e orçamento para 2018. E lembra que também acaba de ser lançado o concurso público para a elaboração do projecto de execução do Centro Intermunicipal de Recolha Oficial de Animais.

No caso dos ataques registados em São Bernardo, e conhecidos na passada semana, o presidente da junta de freguesia local, Henrique Rocha Vieira, assegura que o caso já está a ser resolvido em articulação com a associação Afectu — Associação de Felinos e Caninos Todos Unidos. “A associação está a tratar da recolha dos animais e a junta disponibilizou-se para pagar a esterilização das fêmeas”, especifica o autarca, a propósito do caso que motivou a tomada de posição pública por parte do BE e do PAN. Em comunicado, ambos os partidos lamentaram o facto de o município não possuir um abrigo oficial para os animais abandonados — o canil municipal encerrou em 2013 por falta de condições — e de não ter encontrado uma resposta alternativa. E exigem que o actual executivo (PSD

CDS-PP) tome medidas.

No que toca ao canil, a solução que tem vindo a ser apontada passará, então, por uma estrutura intermunicipal, com três pólos (Aveiro, Águeda e Ovar), que consiga servir os 11 municípios da CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro). Ribau Esteves estima que esta estrutura possa estar pronta “no final de 2019” — para já, está a decorrer o concurso para a elaboração do seu projecto de execução. E até lá como vai a câmara de Aveiro dar resposta à questão dos animais abandonados? “Há várias frentes que estão a ser trabalhadas, há já algum tempo, e não apenas de agora por causa desta situação”, assegura o autarca, acrescentando que todas essas medidas e acções irão constar no plano de actividades e orçamento da câmara para 2018.

Uma das apostas passará por uma “maior cooperação” com as associações de protecção de animais de companhia do município — nomeadamente, a Afectu e a Pravi —, estando a autarquia empenhada, segundo Ribau Esteves, “em apoiá-las na legalização dos seus centros de acolhimento”. Na calha está também a realização de campanhas de sensibilização para combater o abandono, promover a adopção, bem como a esterilização, entre outras iniciativas. “Haverá uma resposta mais capacitada por parte do município”, promete o autarca, sem deixar de lamentar que “o Governo continue a não cumprir a própria lei [Portaria 146/2017 de 26 de Abril] no que respeita ao cadastro dos centros de recolha que o país tem, os que vai ter e o financiamento dos mesmos”.