Um jogo para diminuir as dores de cabeça e desempatar as contas

Depois de bater a Arábia Saudita, Portugal defronta esta noite os EUA, selecção contra a qual nunca perdeu em solo nacional. Fernando Santos admite mudanças no “onze” e quer dar oportunidade a todos.

A selecção nacional vai tentar ganhar aos norte-americanos, o que não acontece desde 1990
Foto
A selecção nacional vai tentar ganhar aos norte-americanos, o que não acontece desde 1990 ANTÓNIO PEDRO SANTOS/EPA

Para lá da importante vertente solidária para com as vítimas dos incêndios, a partida que a selecção portuguesa disputa esta noite contra os EUA (20h45, RTP1, SIC e TVI) tem duplo significado desportivo: por um lado, poderá permitir que Fernando Santos veja aligeiradas as dores de cabeça (ou, pelo contrário, agravá-las) relativamente aos nomes que vão constar na lista de 23 jogadores convocados para o Campeonato do Mundo de 2018. Por outro lado, servirá para desempatar os números do confronto directo entre portugueses e norte-americanos – a não ser que um empate mantenha tudo na mesma.

As memórias mais recentes que Portugal tem de duelos com os EUA não são boas. Em 2014, na segunda jornada da fase de grupos do Mundial, a selecção então orientada por Paulo Bento empatou 2-2, num jogo que esteve a perder até ao último instante – mas Silvestre Varela fez o empate aos 90+5’. Pior ainda foi o embate no Mundial 2002, também na fase de grupos: a equipa de António Oliveira perdeu (2-3) na estreia no torneio organizado por Japão e Coreia do Sul. Em 1992, um particular realizado em Chicago também deu vitória para os EUA (1-0).

É preciso recuar até 1990 para encontrar a última vez em que Portugal ganhou aos norte-americanos: na Maia, a selecção de Artur Jorge impôs-se com um golo solitário de Domingos Paciência (cujo filho Gonçalo pode estrear-se hoje com a camisola da equipa nacional). Um empate 1-1 no Restelo, em 1980, e outro triunfo por 1-0, em 1978, completam o historial de confrontos directos entre as duas selecções, com equilíbrio total: duas vitórias para cada lado, dois empates, sete golos marcados e outros tantos sofridos. Em Leiria a balança até poderá pender para o lado de Portugal, que não perdeu qualquer dos encontros realizados em solo nacional.

Fernando Santos sublinhou as diferenças dos EUA relativamente à Arábia Saudita, que Portugal venceu (3-0) na sexta-feira em Viseu. “Foram escolhidos nessa base. Um adversário do continente asiático, que eventualmente vamos ter de defrontar no Campeonato do Mundo. E outro que vem do Norte da América, com um futebol distinto. É uma equipa com jogo mais objectivo, mais rápido. Tem jogadores de boa qualidade técnica, bons a nível do passe e definição. Temos de ter muita atenção, mas Portugal estando ao seu nível, na concentração e organização, e com a criatividade dos jogadores, pode fazer um bom jogo e vencer”, notou.

O seleccionador nacional admitiu fazer alterações no “onze” e dar uma oportunidade a todos os convocados (José Sá, Ricardo Ferreira, Rony Lopes e Gonçalo Paciência podem somar a primeira internacionalização). “Há jogadores que jogaram [contra a Arábia Saudita] e vão jogar amanhã [hoje] outra vez. Mas se eu tiver oportunidade, e sem qualquer compromisso, todos ou quase todos irão jogar. Se o jogo não o permitir, não acontecerá”, resumiu Fernando Santos.

“Temos uns 40 que podem estar no Mundial, o que quer dizer que 17 vão ficar de fora”, reconheceu ainda o técnico, concluindo: “É bom ter estas dores de cabeça. É importante a forma como os jogadores têm estado em campo e em estágio. Este é um grupo muito coeso. Deram a resposta que eu esperava, fizeram um excelente jogo. Se não acreditasse neles não estariam aqui.”