Crítica

O único actor que interessa em Nova Iorque

Não fosse Jeff Bridges, e este melodrama barato cheio de fogo de vista estiloso nem mereceria um olhar.

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Um melodrama familiar sem sinais particulares
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Saudemos o Dude ele próprio, Jeff Bridges numa forma imperial, único ponto de interesse deste The Only Living Boy in New York, que reúne um elenco bastante estimável numa história da Nova Iorque literária que até começa com alguma desenvoltura antes de se afundar no melodrama barato de vão de escada. Bridges, cuja voz nos recebe em off desde a abertura, interpreta uma figura misteriosa, misto de guru sábio e amigo confidente, que acaba de se mudar para um prédio do Lower East Side e que se trava de amizade com o vizinho de cima. Que é o herói nominal do filme: Callum Turner (o alter ego de John Boorman em Pela Rainha), aspirante a escritor que mantém distância da mãe jornalista bipolar e do pai editor distante. Enquanto decide o que quer fazer da vida, o rapaz deslumbra-se com os conselhos do vizinho, descobre que o pai tem uma amante, e dá por si seduzido.

O título do filme vem de uma canção de Simon & Garfunkel, a amante chama-se Johanna (como na canção de Dylan Visions of Johanna) e por aí já percebemos que o argumento de Allan Loeb (igualmente responsável pela “pérola” Beleza Colateral) exibe as referências pop-culturais nova-iorquinas puramente como fogo de vista arrivista. Por baixo delas não há nada; apenas um melodrama familiar sem sinais particulares que remete aqui e ali para Classe ou A Primeira Noite, mas que vai esticando a corda até tudo ficar com a espessura de uma telenovela de luxo filmada com pura elegância funcional por Marc Webb. Sem desprimor para Turner, sólido numa personagem ingrata, e para o restante elenco, que tem francamente pouco que fazer, valha-nos Bridges. A sua personagem de guru zen parece ter ido buscar a inspiração visual a David Lynch (até o penteado, imagine-se) e a secura directa-ao-assunto a Sam Shepard, mas a capacidade do actor de emprestar humanidade ao seu vizinho misterioso ajuda, e muito, a tornar o filme suportável. E enquanto coisas como estas preenchem buracos de programação, Sofia Coppola, Ang Lee ou Warren Beatty não estreiam nas nossas salas.