Maria de Sousa recebe prémio de Ciência pela projecção de Portugal no mundo

Imunologista de 77 anos identificou distribuição dos linfócitos T nos mamíferos. Descoberta passou a integrar todos os manuais da especialidade a partir da década de 1960.

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Para Maria de Sousa, a capacidade de se espantar define o cientista Nuno Ferreira Santos

A cientista Maria de Sousa foi a escolha do júri do Prémio Universidade de Lisboa 2017 atribuído em Maio e que será entregue nesta segunda-feira. 

Através do seu trabalho sobre a distribuição dos linfócitos T nos mamíferos, a cientista de 77 anos explicou, nos anos 1960, o fenómeno de migração dos linfócitos do timo e da medula para os órgãos linfóides periféricos. A descoberta foi determinante para o seu percurso e para o conhecimento da especialidade. 

O júri, presidido pelo reitor da Universidade de Lisboa António Cruz Serra, distinguiu “uma das primeiras mulheres portuguesas a serem reconhecidas internacionalmente pelas suas descobertas científicas” para o prémio deste ano, e para quem a capacidade de se espantar, de se fascinar, é uma das características que definem um cientista, como disse a própria numa entrevista há dois anos

“Profundamente estimada e muito respeitada na comunidade científica, Maria de Sousa é também uma humanista que cultiva o gosto pelas artes, pela história e pela poesia”, lê-se na nota divulgada pela Universidade de Lisboa. O Prémio Universidade de Lisboa, no valor de 25 mil euros, visa distinguir o mérito de uma individualidade que tenha contribuído de forma notável para o progresso da Ciência ou da Cultura e para a projecção de Portugal no mundo.

Maria de Sousa foi professora catedrática de imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar no Porto entre 1985 e 2009, ano da sua jubilação. Antes licenciara-se em 1963 na Faculdade de Medicina de Lisboa, e foi para os Laboratórios de Biologia Experimental em Mill Hill, em Londres, de 1964 a 1966. 

A cerimónia pública realiza-se no Salão Nobre da Reitoria pelas 17h00, e contará com intervenções da presidente do Conselho Geral da Universidade de Lisboa, Leonor Beleza, e da professora catedrática Maria do Carmo Fonseca, directora executiva do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e Prémio Pessoa em 2010 que integra o júri, ainda constituído por Teresa Patrícia Gouveia, Guilherme D’Oliveira Martins, e o director do PÚBLICO David Dinis, entre outros.

No mesmo dia, serão também entregues os Prémios Científicos, instituídos pela Universidade de Lisboa em colaboração com a Caixa Geral de Depósitos para a distinção da actividade de investigação científica e o incentivo da prática de publicação em revistas internacionais de reconhecida qualidade.

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