Crise na Catalunha projecta Cidadãos nas sondagens; Podemos desce

Partido de Albert Rivera, que nunca teve tanto apoio na sua existência, pode ascender à posição de segundo maior partido espanhol.

Albert Rivera na manifestação pela independência em Barcelona, a 29 de Outubro
Foto
Albert Rivera na manifestação pela independência em Barcelona, a 29 de Outubro Enric Fontcuberta/EPA

O Cidadãos (direita) é quem mais sobe nas intenções de voto em Espanha devido à crise na Catalunha, diz uma sondagem Metroscopia publicada esta segunda-feira pelo El País. Pode ascender à posição de segundo maior partido espanhol.

O partido liderado por Albert Rivera — fundado precisamente para contrariar o movimento independentista catalão e que em 2015 se tornou nacional — aparece a par do Partido Socialista em segundo lugar nas intenções de voto dos espanhóis, com 22,7%.

Outra conclusão: não há maiorias, como não houve nas duas últimas eleições gerais, o que levou Espanha a passar vários meses sem governo até ao compromisso actual, que pôs na chefia do Executivo o Partido Popular, de Mariano Rajoy. O PP surge em primeiro lugar mas com 26,1% das intenções de voto (menos oito décimas do que numa sondagem anterior).

A eclosão do conflito institucional na Catalunha fez disparar a popularidade do Cidadãos e de Rivera — numa manifestação pela unidade de Espanha foi aclamado pelos participantes, que lhe chamaram “presidente” (o título do chefe do Governo). O partido subiu dez pontos desde as últimas eleições, em Junho de 2016.

O Cidadãos é também a formação política mais bem avaliada pelos eleitores espanhóis: 53% aprovam o seu trabalho. E tem uma fidelização também acima da média: 76% voltaria a votar nele.

O Unidos Podemos é quem denota maior desgaste com a crise catalã – a coligação Podemos-Esquerda Unida é contrária à independência mas defende o direito dos catalães a votarem sobre o seu estatuto, uma posição particular num debate absolutamente radicalizado.

Se as legislativas se realizassem agora, conclui o El País, dois partidos, PP e Cidadãos, conseguiriam 48,8% dos votos, o PSOE e o Unidos Podemos só chegariam aos 37,4%.