Conselho Nacional do PDR reconhece Marinho e Pinto como líder legítimo

O objectivo da reunião de sábado era destituir Marinho e Pinto de presidente, considerando o responsável pelo órgão que o partido se está a desmoronar e que falta democracia interna.

Foto
RUI GAUDENCIO

O Conselho Nacional do Partido Democrático Republicano (PDR) acabou por destituir o seu presidente neste sábado em vez do presidente do partido, Marinho e Pinto, que reconhece como "legítimo impulsionador" daquela força política que teve 2799 votos nas últimas eleições.

O presidente do Conselho Nacional, Sérgio Passos, afirmou que apareceram na reunião deste sábado, destinada a votar uma moção para destituir Marinho e Pinto de presidente, apenas dez dos 13 conselheiros em funções, que deviam ser 25, e que Marinho e Pinto "não compareceu e não deu qualquer justificação para a sua ausência".

A conclusão dos conselheiros foi que o órgão que integram não existe de facto juridicamente, porque o número de membros em funções não é suficiente. Como autor da moção de destituição, Sérgio Passos afirma ter abandonado a reunião, criticando Marinho e Pinto e a sua Comissão Política pelo que chama "uma democracia directa participativa dos filiados cerceada".

"O doutor António Marinho e Pinto e os membros da sua direcção entendem que o partido pode continuar a ser levado numa linha fechada, em círculo fechado na Comissão Política", apontou. No entanto, frisou, a comissão política "não tem sequer o mínimo de comissários que os estatutos do partido consignam. Só há cinco quando deviam ser de nove a dez".

Por sua vez, os restantes membros do Conselho Nacional emitiram um comunicado no qual acusam Sérgio Passos de violar os estatutos ao abandonar a reunião. Os conselheiros elegeram "interinamente, por voto secreto", uma nova composição da mesa do Conselho Nacional, que ficará em funções até nova eleição do órgão.

Acusam Sérgio Passos de ter uma "atitude crítica e infundada" em relação a Marinho e Pinto, que "nesta reunião foi reconhecido por unanimidade como o legítimo impulsionador deste partido político".

Na moção, Sérgio Passos acusava Marinho Pinto de limitar a "liberdade democrática do partido", uma vez que no Conselho Nacional de Abril deste ano, por indicação do próprio presidente, "foi aprovada a realização de uma assembleia geral de filiados" — aquilo que noutros partidos é designado o congresso — para 27 de Maio de 2017".

"O presidente ficou incumbido de realizar esse mesmo congresso. Passada essa data, o presidente não promoveu a realização do congresso. A partir daí, Marinho e Pinto tem insistido na não marcação e não cumprimento", criticou.

O PDR, que foi fundado em 2014 e se estreou nas eleições autárquicas de 1 de Outubro, elegeu um deputado em Arcos de Valdevez (Viana do Castelo) e foi a terceira força política em Amarante (Porto).

Os resultados em Amarante e Arcos de Valdevez devem-se, segundo o líder do PDR, Marinho e Pinto, aos "nomes dos candidatos, que credibilizaram o projecto político e contribuíram para os resultados. Em todo o país, o PDR alcançou 0,05% ou 2799 votos.