Hope Solo: “Blatter apalpou-me o rabo. Posso falar sobre isso?”

A ex-jogadora considerou importante reconhecer que os casos de assédio não acontecem só com “homens brancos poderosos”, mas também com mulheres, por exemplo.

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O episódio aconteceu antes de subirem a palco, em 2013, na cerimónia de entrega da Bola de Ouro Arnd Wiegmann/REUTERS

A ex-jogadora de futebol norte-americana Hope Solo revelou numa entrevista ao Expresso que o antigo presidente da FIFA, Sepp Blatter, lhe apalpou o rabo antes da cerimónia de entrega da Bola de Ouro, com quem partilhou o palco em 2013. O porta-voz de Blatter revelou ao Guardian e ao Expresso que as acusações da atleta eram “ridículas”.

Questionada sobre se também há casos de assédio sexual no futebol feminino, a atleta Hope Solo admitiu que sim. “Não é só em Hollywood. É provavelmente por todo o lado”, disse, em entrevista ao semanário português durante a cimeira de tecnologia Web Summit, onde falou precisamente sobre desigualdades de género no futebol. “É alarmante”, afirmou a antiga guarda-redes da selecção norte-americana de futebol feminino, que conseguiu a medalha de ouro olímpica em 2015.

“O Sepp Blatter apalpou-me o rabo. Posso falar sobre isso?”, perguntou à sua assessora de imprensa. E conta o episódio: “Foi numa [cerimónia de entrega da] Bola de Ouro, mesmo antes de entrar em palco…”. Solo partilhou o palco da cerimónia de entrega de prémios com o então presidente da FIFA, Sepp Blatter, em 2013 e considera que este tipo de avanços indesejados se encontra “normalizado”.

“Estou muito desiludida com as mulheres que não falam sobre isto no mundo do desporto”, afirma. “Sim, todos têm o direito de tomar as suas decisões, e é desconfortável, mas queria que mais mulheres, sobretudo no futebol, se pronunciassem contra isto, que partilhassem as suas experiências, porque algumas dessas pessoas ainda trabalham e alguns dos jogadores ainda se comportam assim”, disse a antiga guarda-redes de 36 anos.

“Parece-me importante reconhecer que isto não acontece só com homens brancos poderosos. Pode acontecer com toda a gente, pode acontecer entre mulheres, pode acontecer em qualquer lado”, diz, admitindo que já teve “más experiências” com jogadoras que continuam na sua equipa.

A antiga guarda-redes da selecção dos Estados Unidos deixou de jogar pela equipa devido a uma lesão no ombro e por ter chamado “covardes” às jogadoras da equipa sueca de futebol feminino nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A forma como foi impedida de desabafar sobre como a equipa adversária foi defensiva, sobretudo quando “os homens estão sempre a fazer comentários desses”, foi um dos temas que abordou na Web Summit