Opinião

Diabetes: que cuidados para que riscos

Dia 14 de novembro é o Dia Mundial da Diabetes.

A diabetes é uma modelação estratégica de sobrevivência conseguida pela natureza. O comportamento alimentar e sedentário da sociedade do consumo, do stresse do evoluir emulativo e tecnológico fazem emergir e agravar os riscos subjacentes e inerentes. A diabetes é uma doença crónica que tem vindo a despertar, mais e mais, o interesse dos responsáveis pelos serviços de saúde e pela sociedade em geral.

Para além das mudanças substanciais e dos receios que a diabetes impõe à vida das pessoas, aos seus familiares e cuidadores, os custos económicos e sociais são importantes – gastos em cuidados de saúde, perda de produtividade e rendimentos e perda de oportunidades associadas ao desenvolvimento económico.

A agravar este quadro, ameaçador do bem-estar físico e emocional das pessoas com diabetes e perturbador das famílias e comunidades que se lhes associam, acresce o facto de a diabetes ser reconhecida como sendo um problema à escala mundial, atingindo milhões de pessoas, pelo que, inclusive, é considerada como uma epidemia global.

Prevê-se que o número de diabéticos, a nível mundial, aumente de 415 milhões (2015) para 642 milhões (2040).  No mundo, um em cada 11 adultos tem diabetes. Em Portugal a prevalência (no grupo etário 20-79 anos - 7,7 milhões de indivíduos) situava-se em 13,3% (2015), tendo, desde 2009, aumentado 1,6 pontos percentuais. Os homens têm um valor 5% acima do das mulheres. A diabetes foi responsável em 2015 por 12% dos gastos em saúde.

A desregulação metabólica na diabetes pode levar à falha de órgãos, sendo uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo e de perda de qualidade de vida, nomeadamente pelas complicações macrovasculares. Embora não existindo um órgão ou um sistema orgânico que não possa ser atingido pela doença, salienta-se, pela importância preventiva, as amputações não traumáticas dos membros inferiores.  O pé diabético é uma complicação recorrente da diabetes e um relevante problema de saúde, na medida em que é um dos problemas mais graves e dispendiosos, consequentes da diabetes. O pé diabético constitui, assim, uma das principais complicações cuja morbilidade deverá ser uma das primordiais preocupações nos cuidados de saúde às pessoas com diabetes, e que, para além dos seus custos pessoais, sociais e económicos, causa um considerável sofrimento e importantes mudanças no estilo de vida das pessoas, impedindo o desenvolvimento normal das suas funções. 

Professor do Instituto de Ciências da Saúde – Porto da Universidade Católica Portuguesa