Mineiros pedem ajuda do Governo para resolver diferendos com empresa

Situação dos horários de trabalho contínua e redução da idade da reforma são as principais razões do protesto

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Os mineiros encontram-se a cumprir segunda greve que termina este sábado LUSA/NUNO VEIGA

Mais de uma centena de mineiros de Neves-Corvo foram nesta sexta-feira de Castro Verde (Beja) a Lisboa, para pedir a intervenção do Governo no diferendo com a empresa quanto aos horários de trabalho e à redução da idade da reforma.

Três autocarros chegaram a meio da manhã à avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa, que os mineiros subiram até ao Ministério do Trabalho, ao som de cante alentejano e de palavras de ordem como "a luta continua, na empresa e na rua" e "mineiros unidos jamais serão vencidos".

De acordo com Luís Cavaco, dirigente do sindicato dos mineiros, as razões do protesto prendem-se com a situação dos horários de laboração contínua dos mineiros das minas de Neves-Corvo, geridas pela empresa Somincor, concessionária das minas.

Por outro lado, os trabalhadores do sector das lavarias - sector que separa e lava o minério - pretendem também a redução da idade de reforma, por actualmente não serem abrangidos pelas regras da reforma como profissão de desgaste rápido, apenas se podendo reformar aos 66 anos, como a generalidade dos trabalhadores.

Devido a este diferendo, os mineiros já fizeram uma primeira greve em Outubro e estão a cumprir uma segunda, que começou na segunda-feira e termina no sábado.

O conflito entre os trabalhadores e a administração da Somincor e a actuação da GNR junto do piquete de greve já levaram o deputado do PCP pelo distrito de Beja, João Ramos, a questionar o Governo.

Através de perguntas dirigidas aos ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Economia, João Ramos quer saber se estão a acompanhar as reivindicações e se o Governo tem mecanismos para fiscalizar as condições laborais e os direitos e se está disponível para intervir em defesa dos direitos dos trabalhadores da Somincor.

Também o Bloco de Esquerda questionou o Governo acerca da utilização da GNR no piquete de greve em Outubro, que consideraram "uma operação de repressão inaceitável" da empresa sobre os trabalhadores em greve, afirmou hoje o deputado do BE José Soeiro.