Startup francesa ganha concurso da Web Summit com minifrigorífico para medicamentos

A Lifeina, que quer "libertar as pessoas da prisão de alguns medicamentos", foi escolhida entre 200 outras startups.

Vencedora recebe 50 mil euros
Foto
Vencedora recebe 50 mil euros Nuno Ferreira Santos

Um minifrigorífico inteligente, que cabe na palma na mão e guarda medicamentos sensíveis a temperaturas reduzidas (como insulina e hormonas de crescimento) foi o grande vencedor do concurso de startups da Web Summit, recebendo assim 50 mil euros e um “programa de mentorado”.

Com 52% de aprovação da plateia (capaz de participar na votação pela primeira vez este ano, via aplicação móvel), logo após a apresentação final ao meio-dia de quinta-feira, já se previa que a startup francesa Lifeina fosse o grande vencedor. Em palco, o director executivo, Uwe Diegel, estava convicto da sua missão: “Queremos que as pessoas que precisam de tomar medicamentos sensíveis a temperaturas baixas deixem de se sentir prisioneiras da medicação.” “Um dos grandes problemas são as pessoas que não tomam medicamentos correctamente, porque não há frigoríficos disponíveis nos locais para onde vão, seja o trabalho ou uma grande viagem.”

A caixa pesa menos de 900 gramas, mantém os conteúdos a temperaturas entre os 2 e os 8 graus Celsius, e tem uma bateria que dura 12 horas entre carregamentos.

As outras duas finalistas, escolhidas entre duas centenas de concorrentes pelo júri da Web Summit, eram a Jauntin, uma aplicação de seguros on demand (os utilizadores podem activar o seguro, via telemóvel, antes de fazerem uma viagem específica, ou saírem do país), e a Watr, uma startup de biotecnologia do Reino Unido, que desenvolve uma caixa capaz de monitorizar a qualidade da água.

Para o grande vencedor, o objectivo é “continuar a desenvolver a tecnologia” e criar caixas cada vez mais pequenas, que possam aguentar mais tempo entre carregamentos.

Este ano o prémio inclui menos 50 mil euros do que no ano passado, em que a startup vencedora arrecadava 100 mil euros da Portugal Ventures. Para os vencedores, o maior objectivo é, no entanto, apresentar o seu conceito ao mundo. Em 2016, por exemplo, o primeiro prémio – conquistado pelo robô dinamarquês Kubo – acabou por ser recusado em troca de uma oferta melhor fora da Web Summit.

Os responsáveis da empresa francesa vencedora também não receiam que a sua criação leve outras empresas a desenvolver produtos iguais. “É difícil não copiar produtos tecnológicos depois de serem criados. Mas queremos ser os primeiros a desenvolver este conceito. Vamos construir a nossa reputação desse modo”, frisou Diegel.

A pequena caixa pode ser conectada a uma aplicação móvel, no smartphone do utilizador, que o avisa sobre quando tem de tomar a medicação, permite-lhe monitorizar o estado dos seus medicamentos, e avisa-o quando a caixa é aberta.