Ordem do Ministério Público leva PSP a interromper velório para recolher corpo

Procuradoria-geral da República lamenta incidente, mas diz que não recebeu qualquer declaração de óbito e que tinha de recolher elementos.

Surto de <i>Legionella</i> em Lisboa tem o Hospital São Francisco Xavier como foco
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Surto de Legionella em Lisboa tem o Hospital São Francisco Xavier como foco LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O Ministério Público (MP) decidiu ordenar as autópsias às duas vítimas mortais do surto de Legionella no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, por considerar estas diligências "essenciais" para a investigação. Em comunicado, enviado na noite desta terça-feira, o MP esclarece que teve de recolher elementos para identificar as vítimas por não ter recebido qualquer comunicação de óbito, lamentando no entanto o sucedido.

O corpo de uma das vítimas foi recolhido pela PSP quando estava a decorrer o velório em Campo de Ourique, por ordem do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que tem a investigação a seu cargo.

Fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa confirmou à Lusa que a recolha do corpo foi efectuada quando já estava a decorrer o velório, na Igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique. O corpo foi levado para autópsia no Instituto de Medicina Legal. "Dizer que é uma situação muito sensível é pouco e foi difícil de gerir. Foi desconfortável, mas teve de se cumprir. As pessoas estavam desagradadas com a situação, o que é natural, mas não houve problemas de maior", disse a mesma fonte.

Também o Comando Nacional da PSP confirmou à Lusa que o corpo foi recolhido durante o velório, explicando que se tratou de cumprir um "procedimento obrigatório".

O Ministério Público ordenou igualmente a autópsia ao corpo da outra vítima mortal, o que originou que a data das cerimónias fúnebres tivesse de ser alterada, disse à Lusa fonte da família.

O MP esclareceu a medida, afirmando, em comunicado, que, com a abertura de um inquérito, e "tendo sido noticiadas mortes, entendeu-se, desde logo, que a realização de autópsia e de perícias médico-legais era essencial para a investigação em curso". No entanto, na falta de "qualquer comunicação de óbito relacionada com esta matéria", foi necessário "recolher elementos que permitissem identificar as vítimas, bem como as circunstâncias que rodearam as mortes, designadamente o local onde ocorreram".

Depois de ser informado de que os corpos "já haviam sido entregues às famílias", o MP "decidiu ordenar o encaminhamento dos corpos para o Instituto de Medicina Legal com vista à realização dos exames referidos". "Consciente da sensibilidade da situação, o Ministério Público não pode deixar de lamentar o ocorrido bem como o sofrimento que daí resultou para os familiares das vítimas", diz ainda a nota escrita.

O surto de Legionella, cujo primeiro infectado foi conhecido no dia 31, provocou dois mortos e infectou 35 pessoas — o último caso foi confirmado esta terça-feira. Cinco dos doentes estão internados nos cuidados intensivos, numa situação estável.